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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Discografia Básica: Isso é Amor [IRA!]

O ano: 1999. A banda: IRA! O disco: Isso é Amor.

A opinião:

iraissoeamor2 Lembro quando eu escutei o álbum Isso é Amor, primeiro porque erroneamente eu esperava a audição de um disco de covers, e pelo contrário, é um cd com interpretação, coração e alma, bem executado, belos arranjos, uma banda entrosada e o ótimo vocal do Nasi.

Isso é Amor representou definitivamente a volta do IRA! a vitrine da mídia, emplacando em seguida nos anos seguintes o ao vivo e o acústico MTV. O disco lançado pela gravadora Deckdisc e pelo extinto selo Abril Music, teve como carro chefe a canção “Bebendo Vinho” de Wander Wildner, que fora exemplarmente executada nas rádios, e também seu clipe bem pedido na emissora MTV.

Ao completar dez anos em 2009, merece ser descoberto ou relembrado em razão de resgatar canções importantes para a música popular brasileira nos anos 70/80, como as versões “Sentado a Beira do Caminho” (Erasmo e Roberto Carlos), “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” (Clube da Esquina) e “O Que Me Importa” (Tim Maia). Um trabalho altamente nostálgico e nunca piegas, que em sua essencia, aborda como tema principal o amor.

Isso é Amor pode ser adquirido na internet, para compra ou download, basta pesquisar, e é um dos legados de uma banda que infelizmente chegou ao fim por problemas internos.

encarte

Canções (clique nos títulos para conhecer as versões originais):

Bebendo Vinho (Wander Wildner): Uma versão deliciosa que sobrepõe a composição folk que versa sobre a solidão, escrita pelo gaúcho Wander Wildner. A Frase: “Vou me entorpecer bebendo vinho, eu sigo só o meu caminho.”

Teorema (Renato Russo): Uma versão “menos” rock que a composta pela Legião Urbana, e nem por isso menos legal. A Frase: “Não vá embora, fique um pouco mais. Ninguém sabe fazer o que você me faz. É exagero e pode até não ser.”

Telefone (Júlio Barroso): Com participação de Fernanda Takai (Pato Fu), “Telefone” é a reedição de uma das canções da Gang 90 & Absurdetes, comandada pelo performático Júlio Barroso, que faleceu em 1984 ao cair da janela de seu apartamento. A original tinha um “que” de eletrônico e o coral das absurdetes no refrão, os paulistanos colaboram com uma versão mais cadenciada que substitui o coral pela voz singela de Fernanda. A Frase: “Sua voz está tão longe ao telefone, fale alto mesmo grite não se importe. Pra quem ama a distância não é lance e nossa onda de amor não há quem corte.”

Chorando no Campo (Lobão / Bernardo Vilhena): A gravação do genioso “gênio” Lobão, era uma baladinha, o IRA! tratou de acelerá-la, deixando-a sensacional e ousada. A Frase: “Pela estrada enquanto eu passo, o cinema é só ilusão. Vou chorando pelo campo no meio do temporal.”

Flashback (Cláudio Rabello / Dalto): A canção de Dalto era uma balada com um arranjo de cordas apoiado no grave e um vocal suave contrapondo. A mudança não foi brusca, ganhou apenas mais leveza. A Frase: “Acho que eu mereço ganhar, o prêmio Nobel da paz. Acho que eu preciso brindar o nosso amor.”

Um Girassol da Cor de Seu Cabelo (Márcio Borges / Lô Borges): Do lendário Clube da Esquina, movimento mineiro de nomes como Milton Nascimento, Lô Borges, Flávio Venturini, Tavinho Moura, Toninho Horta, Beto Guedes e o letrista Fernando Brant por trás de suas composições que resultaram em dois álbuns Clube da Esquina e Clube da Esquina 2. A original Um Girassol… é notória pela sua métrica quase orquestral e a letra poética e belíssima. A versão do IRA! que tem participação de Samuel Rosa (Skank) não se iguala a pioneira, mas consegue com simples arranjos e belos vocais - dueto de Nasi e Samuel - ser deliciosa. A Frase: “Vento solar e estrelas do mar. A terra azul da cor de seu vestido. Vento solar e estrelas do mar. Você ainda quer morar comigo?”

Mudança de Comportamento (Edgard Scandurra): O IRA! procura se reinventar com uma canção clássica de seu primeiro álbum (1985) que dava nome ao disco. A versão antes inspirada pelo rock inglês, ganha uma roupagem soft, e refrão entoado de forma mais leve. A Frase: “E aqui estou eu sozinho com o tempo. O tempo que você me pediu. Isso é orgulho do passado, um presente prá você.”

O Que Me Importa (Cury Heluy): Eternizada na voz de Tim Maia, esta canção tem com a cantora Marisa Monte mais uma versão, lançada na mesma época que o IRA! Ambas as versões assim como a original, destacam-se pela tristeza exponenciada por uma letra forte, que narra o fim de um relacionamento. A Frase: “O que me importa seu carinho agora, se para mim, a vida terminou.”

Jorge Maravilha (Julinho da Adelaide): Esta é uma versão muito legal e  cheia de swingue, Scandurra capricha nos efeitos em sua guitarra, na minha avaliação, a banda cumpriu o dificílimo desafio, que é trabalhar em cima de uma música de Chico Buarque. A Frase: “E como já dizia Jorge Maravilha cheio de razão, mais vale uma filha na mão do que dois pais voando. Você não gosta de mim, mas sua filha gosta.”

Abraços e Brigas (Taciana Barros / Edgard Scandurra): Releitura mais “azeitada” de uma canção do trabalho solo Scandurra. A Frase: “Abraços e brigas, tantas noites sem dormir. Bem que eu queria que o tempo não existisse só pra ter você, aqui.”

Sentado à Beira do Caminho (Erasmo Carlos / Roberto Carlos): Outro desafio, fazer uma versão para a belíssima canção da dupla Roberto e Erasmo, ponto para os paulistanos, afinal, o resultado é empolgante. A Frase: “Minha sombra me acompanha e vê que estou morrendo lentamente. Só você não vê que eu não posso mais ficar, ficar aqui sozinho. Esperando a vida inteira por você, sentado a beira de um caminho”.

A Vida Tem Dessas Coisas (Bernardo Vilhena - Ritchie): Em 1983, só existia um artista e sua fábrica de hits, o inglês Ritchie e seu álbum Vôo de Coração, deixando um legado para todo o sempre no universo do pop rock nacional. A Vida Tem… era só mais um dos destaques deste disco, a balada, que é uma perseguição gato e rato em busca do amor. Nasi e cia fizeram um bom arranjo, dando uma acelerada interessante para a canção. A Frase: “Me perdi no seu caminho, me encontrei falando sozinho. Sigo sempre sem destino pra te encontrar, pra conversar. Te convencer, te confessar. Quero só você!”

Alegria de Viver versão de Alegria de Vivir (R.Heredia): A versão original poderia ser tema de qualquer novela latina, eu acho cafona, sinceramente. Acho a releitura de muito bom gosto, combinando com o lead vocal de Edgard Scandurra. A Frase: “O inferno de tua glória, a passar por mim. Eu procuro noite adentro a alegria de viver.”

Minha Gente Amiga (San Martin / Ronnie Von): Ronnie Von em uma canção quase black music, com elementos do guitarrista Santana. O IRA! tentou maximizar essa segunda influência e produziu uma canção interessantíssima. A Frase: “Eu sou um homem. Um homem comum. Atrás do dinheiro, atrás do amor. Meus desejos são até bem simples e também minhas necessidades, ligadas ao século XX.”

Ficha Técnica:

Isso é Amor, Deckdisc, Abril Music, 1999.
Gravado no Estúdio Bebop/SP, produzido por Marcelo Sussekind.
Capa: Desenho Brava
Fotos: Feco Hamburguer
Músicos convidados:
Johnny Boy - Teclados
Walmir Gil - Trumpete em "Mudança de Comportamento"
Taciana Barros - Piano em "Abraços e Brigas"
Chiapeta, Nelson Cabelo, Andréia, Ivon - Vocal em "Minha Gente Amiga"
Marcelo Sussekind - Violão em "Sentado à Beira do Caminho", baixo em "Flashback" e guitarra base em "Minha Gente Amiga".
Participações Especiais:
Samuel Rosa (Skank) em "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo". Artista gentilmente cedido por Sony Music.
Fernanda Takai (Pato Fu) em "Telefone". Artista gentilmente cedido por BMG.
IRA!
André Jung - bateria e percussão.
Edgard Scandurra - guitarra, violão, sintetizador e voz.
Marcos Nasi - voz solo e vocal.
Ricardo Gaspa - contrabaixo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Nós Vamos Invadir Sua Praia

O ano: 1985. A banda: Ultraje a Rigor. O disco: Nós Vamos Invadir Sua Praia.

URpraia 1985 foi um ótimo ano para o desdobramento do rock nacional, além das bandas já estabilizadas no cenário como Blitz, Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Lulu Santos e a realização do grandessíssimo Rock in Rio, celebrava-se o lançamento dos álbuns de estréia do Ultraje a Rigor (Nós Vamos Invadir Sua Praia), Legião Urbana (Legião Urbana), RPM (Revoluções Por Minuto) e IRA! (Mudança de Comportamento), bem como o segundo disco do Kid Abelha (Educação Sentimental) e Titãs (Televisão).

Nós Vamos Invadir Sua Praia é considerado um marco da década de 80, responsável por emplacar na rádio sete hits: “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, “Rebelde Sem Causa”, “Mim Quer Tocar”, “Ciúme”, “Inútil”, “Eu Me Amo“ e “Independente Futebol Clube”. O disco ainda teve uma excelente propaganda, quando Os Paralamas do Sucesso tocaram a música “Inútil” no Rock In Rio, ajudando no burburinho em relação ao Ultraje.

O álbum tem os arranjos característicos no trabalho da banda, baseados no rock básico e envolvente, sem grandes firulas e altamente inspirado no som dos anos 50, concatenado aos clássicos Rolling Stones, Beatles e Black Sabbath. Imperdível!

O Disco faixa a faixa:

1. "Nós Vamos Invadir Sua Praia" (Roger Rocha Moreira): Um escrachado vocal casando com um ótimo arranjo de guitarra, que e uma ode a inclusão social, onde todos tem o mesmo direito à diversão. “Agora se você vai se incomodar, então é melhor se mudar. Não adianta nem nos desprezar porque se a gente acostumar a gente vai ficar”.
Ultraje2. "Rebelde Sem Causa" (Roger Rocha Moreira): Canção que critica a vida dos mauricinhos, playboys e garotos mimados que adoram reclamar da vida. Ótima! “Meus pais não querem que eu fique legal. Meus pais não querem que eu seja um cara normal”.
3. "Mim Quer Tocar" (Roger Rocha Moreira): Um reggae tropical que ressalta o valor do dinheiro em nossas vidas. “Mim também quer ser bacana (bacana!). Mim quer tocar. Mim gosta ganhar dinhero (dinhero!)”.
4. "Zoraide" (Roger Rocha Moreira): Longe do machismo e perto do desgaste nos relacionamentos, simples assim. Rock básico e certeiro! “Fica com esse NHÉM-NHÉM-NHÉM na minha orelha, me chateia. Eu já não agüento mais. Quero fazer o que me der na telha. Zoraide, vê se não me pentelha”.
5. "Ciúme" (Roger Rocha Moreira): Uma das melhores músicas do Brock. Arranjo envolvente e vocal inspirado, que diz que ninguém é de ninguém, mas que no fundo morre de ciúme! “Eu quero levar uma vida moderninha, deixar minha menininha sair sozinha. Não ser machista e não bancar o possessivo, mas eu me mordo de ciúme”.
6. "Inútil" (Roger Rocha Moreira): Outra envolvente canção que critica o modo de vida Brasileiro mirando a política, futebol e sociedade. O descontentamento pelo “tá tudo bem”e nossa síndrome de cachorro vira-lata, como diria o escritor Nelson Rodrigues. Sensacional hino! “Inútil! A gente somos inútil!”. 
7. "Marylou" (Edgard Scandurra/Maurício/Roger Rocha Moreira): Aqui o tema são as meninas galinha, não as que botam ovo, se é que elas existem e sim as que a gente papa, e logo outros já estão papando e por aí vai. “Eu tinha uma galinha que se chamava Marylou. Um dia fiquei com fome e papei a Marylou”.
8. "Jesse Go" (Maurício/Roger Rocha Moreira): Critica a capacidade de criarmos ídolos com pés de barro, sem talento, fúteis e inúteis culturalmente e moralmente. O título da canção é uma ótima sacada, sugerindo que o Jesse de todos os dias se vá! “Essa é a triste linerlmchistória de Jesse Go, que em sua rápida trajetória, se atrapalhou com a própria glória e sumiu da nossa memória”.
9. "Eu Me Amo" (Roger Rocha Moreira): Tudo dará certo quando primeiro, você se amar, receita simples! “Era tão simples e eu custei prá aprender. Daqui prá frente nova vida eu terei, sempre a meu lado bem feliz eu serei”.
10. "Se Você Sabia" (Roger Rocha Moreira): O efeito colateral da liberação sexual, uma brincadeira com a gravidez indesejada e a falta de proteção. “Se você sabia, que não podia naquele dia, porque não me avisou? O que seu pai vai dizer, quando ele perceber sobre você. Vai se aborrecer. Vai querer me bater”.
11. "Independente Futebol Clube" (Roger Rocha Moreira): Registro ao vivo de uma canção que se destacava nos shows do início de carreira. Lema: Do yourself. Mais uma do tema ninguém é de ninguém, mesmo que acabe se tornando um contra-senso. “Se a gente tá assim, comendo capim é porque a gente quer. E se não quiser. Nós somos livres. Independente futebol clube”.

Formação da banda à época da gravação:

Roger Rocha Moreira - voz e guitarra
Carlo Bartolini (Carlinhos) - guitarra
Maurício Defendi - baixo
Leôspa – bateria

Produção e arranjos: Liminha e Pena Schmidt

Gravadora: Warner Bros

Mimos:

Clique aqui para ouvir Nós Vamos Invadir Sua Praia versão Remix.

FIB3-logoClique aqui para ouvir Rebelde Sem Causa versão Remix.

Clique aqui para ouvir Nós Vamos Invadir Sua Praia versão da Pitty. 

Saiba mais sobre o Ultraje a Rigor aqui.

A banda toca Festival de Inverno neste final de semana, saiba mais aqui.

Ultraje a rigorSite Oficial do Ultraje a rigor

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Morre o astro da terra do nunca: Michael Jackson / Discografia Básica Thriller.

MJ-dança Ao falecer hoje (25/06), vítima de parada cardíaca aos 50 anos, Michael Jackson deixa um legado importante ao mundo pop. Mesmo com um hiato de 12 anos sem fazer shows, Michael contribuiu para o mundo da música formidavelmente. Com onze álbuns de estúdio, o último fora o fraquíssimo Invincible (2001), que ainda tinha o agravante da imagem arranhada do astro com as acusações de pedofilia, suspeita de ter negado a raça negra e muitas excentricidades.

Michael ainda ensaiaria um retorno, marcando uma série de 50 shows (sold out) na Inglaterra que se iniciariam no próximo dia 12 de julho. Fontes ligadas ao cantor atribuíam essa turnê às enormes dívidas, estas que o fizeram vender Neverland, seu megalômano rancho que possuía até um enorme parque de diversões.

A rede social Twitter entrou em parafuso e demonstrou sua importância com a morte de Michael, milhares de twittadas eram postadas a cada milésimo segundo com notícias, consternação e também de piadas. Afinal, uma celebridade como o Sr. Jackson pode produzir os mais diversos sentimentos.

Michael_Jackson_Thriller-capa Homenageando Michael, a discografia básica abre os trabalhos para o álbum Thriller, que completou 25 anos de lançamento em 2008, e é nada mais nada menos o disco mais vendido de todos os tempos (Guiness Book), com quase 110 milhões de cópias, e nunca será superado, ainda mais em uma época de downloads, aonde infelizmente as pessoas compram cada vez menos cds.

Faixa a Faixa:

O álbum começa com a acelerada e ótima Wanna Be Startin' Somethin' pontuada por um ótimo arranjo de metais, sucedida pelo charm para pistas de dança Baby Be Mine, a número três é a linda baladinha The Girl is Mine, fruto de uma parceria com os ex-Beatle Paul McCartney. Agora o bicho pega, é hora da canção homônima do cd, Thriller é dançante e contagiante, seu clipe dirigido pelo cineasta John Landis, é considerado por muitos o melhor videoclipe de todos os tempos, no qual Michael dança com zumbis e transforma-se em lobisomem, sensacional, para finalizar, a narração é do astro de filmes de horror Vincent Price, a quinta canção não deixa a peteca cair, Beat It foi outro exemplo de single primoroso assim como o próximo destaque Billie Jean um funkão delicioso, impossível manter os pés parados, tente! Para encerrar o álbum, três canções básicas Human Nature, P.Y.T (Pretty Young Thing) e The Lady In My Life, que não tiveram o glamour de suas predecessoras mas possuem seu valor.

MJ-Zumbie A edição remasterizada comemora os 25 anos do álbum Thriller e ainda pode ser encontrada nas lojas, é um primoroso lançamento duplo que consiste em um CD acrescido de cinco canções de Thriller remixadas por astros da música americana como Will.i.am, Akon, Fergie e Kanye West, além de For All Time nunca antes gravada em nenhum cd de Michael. Além de um DVD com os videoclipes de Billie Jean, Beat It, Thriller e uma apresentação ao vivo de Billie Jean. Vale e muito a compra!

O álbum Thriller foi produzido pelo músico e produtor Quincy Jones, um papa da música negra americana.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Legião e Paralamas vão tocar juntos? Massa!

MauricioValadares

Foto: Mauricio Valladares

LegiaoParalamas Em 04 de setembro de 1988, um assunto acompanhava os fãs de Rock Nacional aonde quer que eles fossem. Na rua, trabalho, escola ou qualquer lugar que o valha, a exibição do especial “Legião Urbana e Paralamas juntos”, na noite anterior pela emissora Rede Globo, faria as gírias pipocarem, classificando o programa como chocante, fera, maneiro ou massa. Realmente arrasou!!!

Inexplicavelmente, o lendário programa gravado no Teatro Fênix, que teve sua única exibição na noite de 03/09/88, permaneceu no “limbo” da emissora e na memória dos fãs por 20 anos. Permaneceu, porque finalmente a Globo em parceria com a gravadora EMI, resolveu lançar o especial no formato DVD/CD. A apresentação histórica para quem não assistiu, tinha um “que” de enterro de anão ou cabeça de bacalhau, mas agora pode ser encontrada nas lojas de todo o país.

bora bora Em uma época na qual o Brock reinava absoluto nas paradas de sucesso. A Legião Urbana colhia os louros do seu terceiro álbum “Que País é Esse” (1987), que traria os hits "Que País É Este", "Faroeste Caboclo", "Eu Sei" e "Angra dos Reis". Enquanto Os Paralamas do Sucesso divulgavam se quinto trabalho “Bora Bora” (1988), que seria responsável pelos hits “O Beco”, “Uns Dias” e “Quase um Segundo”.

Legião3 “Legião Urbana e Paralamas juntos” é um produto com bom som e imagem, e a exata duração de 50 minutos, que pode ser um pouco curta e frustrante, acredito que o material restante tenha sido abandonado durante o processo de autoração do DVD, em razão da qualidade. Aliás, em relação a esse atributo, podemos ressaltar o bom trabalho de masterização, afinal, um programa de 20 anos atrás naturalmente possui muitos defeitos de som e imagem, graças à época que não possuía equipamentos, nem padrões de alta definição.

legiao_paralamasVale destacar as entrevistas dos músicos das duas bandas e personalidades de várias áreas profissionais como Fernando Gabeira, Carlos Lombardi, Bussunda, Tony Ramos, Stepan Nercessian e Cláudia Abreu. É ótimo também curtir o visual das roupas e dos cortes de cabelo, engraçado como a moda é mutável.

O setlist do DVD é o seguinte, indicado em quais momentos as bandas atuam juntas. O nome é “Juntos”, não é exatamente ao pé da letra, mas compensa:

01. Abertura - Os Paralamas Do Sucesso/Legião Urbana
02. Será - Legião Urbana
03. Meu Erro - Os Paralamas Do Sucesso
04. Tédio (Com T Bem Grande Pra Você) - Legião Urbana
05. Depois Que O Ilê Passar - Os Paralamas Do Sucesso “Esta canção foi grosseiramente cortada, servia de introdução para Melô do Marinheiro, que acabou não entrando”.
06. Tempo Perdido - Legião Urbana
07. Alagados - Os Paralamas Do Sucesso
08. O Beco - Os Paralamas Do Sucesso
09. Que Pais É Este - Legião Urbana
10. Nada Por Mim - Os Paralamas Do Sucesso/Legião Urbana
11. Dois Elefantes - Os Paralamas Do Sucesso
12. Eu Sei - Legião Urbana
13. Ainda É Cedo / Jumpin' Jack Fash (Rolling Stones) - Legião Urbana/Os Paralamas Do Sucesso

Nos extras, apresentações das bandas no programa de sucessos da Rede Globo, que chamava-se Globo de Ouro. É impagável ver as bandas com postura ao vivo em um programa que era playback, além de um clipe tosco para Que País é Este.

01. Melô Do Marinheiro (Globo De Ouro) - Os Paralamas Do Sucesso
02. Tempo Perdido (Globo De Ouro) - Legião Urbana
03. Alagados (Globo De Ouro) - Os Paralamas Do Sucesso
04. Soldados (Globo De Ouro) - Legião Urbana
05. SKA (Globo De Ouro) - Os Paralamas Do Sucesso
06. Será (Globo De Ouro) - Legião Urbana
07. Óculos (Globo De Ouro) - Os Paralamas Do Sucesso
08. Que País É Este (Videoclipe - Fantástico) - Legião Urbana

E no CD, as mesmas faixas do DVD, aproveitando a remasterização do som para o DVD.

Finalizo reafirmando a importância do lançamento e atestando o status de imperdível na sua coleção.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Temple Of The Dog [Discografia Básica]

temple7 No ano de 1990, o grupo Mother Love Bone preparava-se para lançar em julho: Apple, seu primeiro cd. No dia 19 de março, quatro meses antes do lançamento, o vocalista e líder Andrew Wood, faleceria aos 24 anos por overdose de heroína. Um incidente que pôs fim a uma carreira e uma banda promissoras de Seattle, cidade berço de Pearl Jam, Nirvana, Alice in Chains e Soundgarden, citando apenas as mais importantes do movimento grunge, que redefiniu os rumos do rock na década de 90, poderia elencar vários outros exemplos desta massa criativa.

A desoladora dor da morte serviu como mola propulsora para o cd intitulado Temple Of The Dog. Este tributo a Andrew Wood, é uma empreitada idealizada por Chris Cornell (Soundgarden), que conspirou na harmoniosa junção de Temple5membros do Pearl Jam (Jeff Ament - Baixo, Stone Gossard - Guitarra, Mike McCready – Guitarra e Eddie Vedder - Vocal) e do Soundgarden (Matt Cameron – Bateria e Chris Cornell - Vocal). Destes músicos, Stone Gossard e Jeff Ament (ambos do Pearl Jam) eram da formação do Mother Love Bone.

O tributo lançado quase um ano depois (1991), só estourou graças a consolidação da fama do Pearl Jam e Soundgarden, pelos seus respectivos álbuns Ten e Badmotorfinger. O cd Temple of The Dog além dos padrinhos de peso, encontrou na canção “Hunger Strike“ um sucesso imediato.

Nos arranjos, a ótima cozinha por Jeff Ament (baixo) e Matt Cameron (bateria) passeia sem problemas nas guitarras de Mike McCready e Stone Gossard. Chris Cornell além de escrever e compor em todas as canções, ainda dá a entonação necessária ao álbum com um vocal sem emendas. Eddie Vedder pouco fez, além de um dueto com Chris em "Hunger Temple1Strike" e dando a graça como backing vocal em "Pushin Forward Back", "Your Saviour", "Reach Down" e "Four Walled World", mas nada que apagasse o brilho do frontman do Pearl Jam.

Temple Of The Dog é um álbum de puro rock, sem soar datado, agradando de forma rápida e fácil quem curte melodias simples e bem trabalhadas. Em suas letras, carrega as dores da sociedade com a morte, miséria, fé e religião.

Você pode encomendar o cd na internet ou se preferir, encontrá-lo facilmente para download, mas seria uma pena, pois uma pequena raridade como essa merece espaço na sua coleção.

Abaixo você tem a oportunidade de curtir três músicas deste trabalho, além do hit “Hunger Strike”, ouça “Your Savior” e “Say Hello To Heaven”. Just push play!

temple6 Temple of the dog - Hunger Strike

Temple of The Dog - Your Savior

Temple Of The Dog - Say Hello To Heaven

Tracklist:

Temple301. Say Hello 2 Heaven
02. Reach Down
03. Hunger Strike
04. Pushin Forward Back
05. Call Me a Dog
06. Times of Trouble
07. Wooden Jesus
08. Your Saviour
09. Four Walled World
10. All Night Thing

terça-feira, 17 de março de 2009

Iron Maiden: Seventh son of a seventh son

O último capítulo da série sobre os grandes álbuns do Iron Maiden lançados durante a década de 80 e base da turnê Somewhere Back in Time Tour fala do belíssimo álbum Seventh son of a seventh son.
Depois de escutá-lo algumas vezes, mudei meu conceito sobre este disco. Muito bem trabalhado, uma história interessante e um fato desagradável marcaram a gravação deste álbum. Ao começar pela saída do espetacular guitarrista Adrian Smith após a turnê de lancamento do álbum.
Smith já vinha com a ideia de seguir carreira solo e com a decisão tomada o Iron necessitaria de outro guitarrista. Contrataram o ótimo guitarrista e dublê de acrobata Janick Gers como substituto para o próximo álbum – No prayer for the dying.
Voltando ao álbum, conta a história do nascimento do sétimo filho de um sétimo filho. Foi baseada no conto do inglês Orson Scott Card que, segundo a lenda, o novo messias viria sob a forma deste sétimo filho de um sétimo filho, com poderes inimagináveis, mas com duplicidade de caráter, ora para o bem como para o mal.
A diferença seria quem conseguiria manipulá-lo primeiro. Uma bela metáfora para o que chamamos de índole. Se este filho optar por fazer alianças com o cramunhão o mundo acabará nas trevas. Optando pelo lado bonzinho o mundo viverá seu lado tranqüilo e calmo. A capa tem um Eddie saindo de um lago em que segura em uma das mãos o sétimo filho envolto numa espécie de placenta.
Com revés conceitual, mais próximo do rock progressivo dos anos 70 do que o mal falado rock do final dos 80, este disco inseriu conceitos espirituais aos temas abordados pela banda. No campo instrumental foi acrescentado teclados em algumas músicas, com bons resultados. Vejamos o resumo das músicas presentes neste álbum:

Título: Seventh son of a seventh son
Ano: 1988
Duração: 44’08’’

Integrantes:
- Bruce Dickinson: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Nicko McBrain: bateria;

Faixas:

1. Moonchild: Tem uma introdução no violão e Bruce Dickinson recita a estrofe inicial. As guitarras são rápidas e bateria entra em um ritmo alucinante. O baixo de Steve Harris segue a linha de sempre. A letra conta a lenda do nascimento do sétimo filho e a presença de um anjo das trevas aconselhando-o a seguir o caminho das trevas. Tenebrosoooo!!

2. Infinite dreams: A abertura tem um riff bem legal de guitarra e um baixo como base de fundo. A bateria é cadenciada, em um ritmo bem mais lento que na música anterior. A terceira parte da música é mais acelerada, com destaque para um belíssimo solo de guitarra no final. A letra fala basicamente de uma pessoa que tem pesadelos constantes, contrariando o título da música. Até que a faixa agrada, mas perde-se no conceito proposto no disco.

3. Can I paly with madness: Essa é para empolgar qualquer filho de quem quer que seja. Com um refrão que chega a arrepiar, é uma das minhas preferidas do disco. Não tem muita variação harmônica, começando com um riff legal das guitarras que será repetido no final da faixa. Só no meio da música, antes da repetição do refrão que entra um solo de guitarra. A bateria é de uma energia contagiante. O vocal de Bruce Dinckinson é sensacional, com uma letra falando do questionamento do sétimo filho sobre que caminho seguir. Um clássico!

4. The evil that men do: Esta tb é um classico. É a preferida de toda a carreira do Bruce Dickinson no Maiden. Eu gosto bastante do vocal, com uns agudos impressionantes. A introdução é um acorde de guitarra magnífico, em seguida entrando um numa melodia diferente. Além de um refrão forte, um verso interessante é o que precede o refrão – “ Don’t to cry for me” . A frase faz sentido na letra que é baseada em um texto de Shakespeare que diz:
"O mal que os homens fazem vive após os homens morrerem, mas a bondade é enterrada juntamente com seus ossos".
Supostamente, o sétimo filho teria tido uma paixão ao modo shakesperiano de relatar tragédias amorosas (vide Romeu e Julieta). Se bem que prefiro o Romeo and Juliet do Dire Straits.

5. Seventh son of a seventh son: Esta faixa - título conta toda a história sobre a lenda do sétimo filho do sétimo filho. Na letra é bem conceitual. Na melodia é estupenda. Com quase 10 minutos tem tempo de sobra para se fazer experimentalismos, inclusive com um coral parecido com aqueles cantos gregorianos ao fundo, passando uma sensação de sofrimento no nascimento deste filho. A música confunde qual a origem desta “criança”, se nesta faixa ou na primeira. Não importa porque esta faixa é bem orquestrada, fugindo do esteriótipo de que músicas grandes são apenas para os músicos mostrarem sua técnica e para dar sono na platéia.

6. The profecy: É sobre a profecia proferida pelo sétimo filho. Como ninguém acreditou a Terra desandou e tudo terminou em trevas e no fogo ardente do inferno. Uma música bem feita, mas que não me chama muita atenção.

7. The clairvoyant: Outro clssico. Tem uma das mais belas introduções de baixo da banda de Steve Harris. Tem um teclado que não fica em evidência, entretanto cadencia bastante os riffs de guitarras entre uma estrofe cantada e outra. A bateria tem uma virada muito boa, sem sair do ritmo que a música necessita. A letra fala do poder de clarividência que o sétimo filho tem ao nascer. E como um observador externo pergunta-se: ´
“But for all his powercouldn't foresee his own demise... and reborn again?”
"Mas por todo o seu poder não poderia prever sua própria morte... E nascer novamente?"
Uma canção sensacional!

8. Only the good die young: Fechando este excelente álbum, uma música pouco conhecida dos fãs do Iron. Belos solos de guitarras narrando o desfecho trágico do mal vencendo o bem. Relamente finaliza bem o álbum.

Estes sete álbuns que comentamos formam, basicamente, a melhor fase do Iron Maiden. Não falarei do álbum Fear of the dark porque este não foi produzido na década de 80, mesmo a faixa titulo sempre presente nos shows da turnê.
Esta série visava mostrar uma banda com grandes variações musicais e temáticas, fugindo da ideia que banda de heavy metal são apenas guitarristas virtuosos e letras sem nexo. Gostemos ou não de determinadas bandas, temos que respeitá-las por vários motivos, entre eles a sua historia. O Iron Maiden é uma delas.

Conto os minutos para o show histórico desta sexta feira (20/03) aqui em Brasília. Estaremos no Mané Garrincha cobrindo, e principalmente, curtindo este grande momento para os todos os fãs.
Agora é só esperar Bruce Dickinson e cia entrarem no palco e gritar:
“ Scream for me Brasília!!!”
Abraços. Up the Iron!
Danilo Duff.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Iron Maiden: Somewhere in time


O futuro chegou. Inclusive no Iron Maiden com o lançamento deste álbum com estilo futurista.

Como dito no post anterior este disco é o álbum da discórdia. Massacrado pela mídia que não entendeu a ideia da banda de modificar seu som, com inserção de guitarras sintetizadas, dando o ar de modernismo que o grupo procurava.

Também é motivo de desacordo entre os fãs da banda. Os cinco primeiros álbuns haviam sido lançados em cinco anos conseguidos (80-84). Em se tratando de álbuns de extrema qualidade isto é um feito, um álbum por ano.

A expectativa em torno de Somewhere in time aumentou porque a banda não lançou um disco de inéditas em 1985. Apenas no fim de 86 seria lançado este e provocado todo esse rebuliço. Ao tratarmos de uma banda ícone do heavy metal espera-se uma continuidade do trabalho.

A mudança brusca de rumo causa estranheza, narizes torcidos e testas enrugadas. Talvez um único ponto de concenso seja a capa de Derek Riggs. Belíssima, inspirada em músicas e histórias do grupo. Mostra um Eddie futurista, robotizado, cibernético, talvez um vingador do futuro. Há várias curiosidades grafadas na ilustração:

- Um relógio aponta 23:58 (alusão a música 2 Minutes to midnight);

- Um placar eletrônico mostra o resultado inimaginável do jogo West Ham 7 x 3 Arsenal (Fanáticos pelo "timaço" londrino West Ham -a Portuguesa de Londres);

- O nome da rua onde Eddie está chama-se Acacia Avenue;

- Um Icaro caindo com suas asas queimadas (Flight of Icarus);

- Teatro Phantom of Opera House;

- Live after death e Blade runner são os filmes em cartaz no cinema (O primeiro é o nome do álbum ao vivo de estréia e o segundo é o filme com Harrison Ford onde é um caçador de andróides);

- Na Acacia Avenue, em uma das janelas tem uma garota sentada em uma cadeira, possivelmente Charlotte – a prostituta;

- Ruskin arms (pub onde começaram a tocar);

- Aces High bar, com um spitfire (avião de combate inglês da segunda guerra) voando no alto;

Entre outros.

Controvérsias a parte vamos as 8 faixas do álbum e a ficha técnica resumida:

Título: Somewhere in time
Ano: 1986
Duração: 46’04’’

Integrantes:

- Bruce Dickinson: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Nicko McBrain: bateria;

Faixas:

1. Caught somewhere in time: Nos primeiros acordes já percebe-se os riff sintetizados das guitarras de Adrian Smith e Dave Murray. A faixa -título é bem arquitetada, com belos solos de guitarra e um baixo em estilo cavalgada. Bruce Dickinson utiliza de seus recursos vocais para enriquecer a música. Só acho que poderia ser um pouco mais curta (tem 7 minutos).

2. Waster years: O único hit do álbum. Junto com Stranger in a strange land são minhas preferidas do disco. As guitarras sintetizadas até ajudam a manter um clima de expectativa durante a introdução. Tem um daqueles refrões cativantes que todo mundo canta junto. Boa parte da música tem uma velocidade que, na minha opinião, foi reproduzida em outras canções do álbum Fear of the dark. A última parte da musica volta a ser tocada os acordes da introdução. Realmente emocionante.

3. Sea of madness: Começa com uma bateria violenta. Logo após diminui o ritmo. Depois da loucura de Bruce Dickinson inicia-se um belo solo, a marca registrada deste álbum. Volta do mesmo jeito (instrumental cadenciado e vocal idem). E é só. Poderia ter um pouco mais de criatividade.

4. Heaven can waint. Começa com acordes perfeitos de baixo com as guitarras fazendo o fundo. O vocal é igual uma metralhadora, cuspindo frase sem perder o fôlego. A letra é sobre a experiência de quase morte de uma pessoa quando percebe seu espírito saindo do corpo físico. Música bem legal, ainda mais quando o pessoal da equipe técnica é convidada a ir ao palco para cantar o refrão.

5. The loneliness of the long distance runner: Uma faixa com este titulo (A solidão do corredor de longa distância) só poderia dar errado, servindo apenas como música de cabeceira de corredores quenianos. Mas não. É uma faixa bem trabalhada, com variações que iniciam lentas e tornam-se rápidas. A bateria é a la Clive Burr, parecidíssima com a faixa Iron maiden.
6. Stranger in a strange land: Uma das minhas preferências neste disco. Ao começar pelo baixo, com inclinação direta para Wratchild. As guitarras tem o peso certo, criando um riff que “canta” a uma frase marcante da música. A letra conta sobre uma expedição rumo ao pólo norte que naufraga e os corpos são encontrados anos depois em perfeito estado de conservação. Bela letra, vocal apurado e melodia que agrada aos mais exigentes ouvidos.

7. Deja Vu: Acho que todo mundo conhece esta expressão, entretanto não custa lembrar. Palavra que expressa a sensação de já ter vivenciado aquele momento antes, mas não nos lembramos plenamente deste. A letra fala algo em torno da reencarnação. Música rápida e vocal bem trabalhado. Boa para preencher o lado B dos antigos bolachões.

8. Alexander – the great: Como todo álbum do Maiden tem que ter um clássico épico, e esta recebeu o título. E que título! Tem um monólogo inicial atribuído ao pai de Alexandre, chefe-rei da Macedônia, que nomeou o titulo a Alexandre após este, aos 13 anos, conseguir domar um leão que outros guerreiros haviam tentado sem sucesso.
A frase é esta:
“Meu filho, consiga para você um outro reino
Pois este que deixo é pequeno demais para ti.”
Começa com a bateria em ritmo de funeral, continuando com a entrada das guitarras. Após 2 minutos de introdução segue-se a melhor participação de Bruce Dickinson no álbum. Com uma voz firme e coesa para a grandeza da canção, não desafina uma única nota. No meio da música criou-se um riff poderoso de guitarra. A bateria e o baixo tem um acompanhamento único, dando o ritmo necessário a história cantada por Dinckinson. Uma letra maravilhosa e a melhor composição harmônica do álbum transformam está em um clássico que, infelizmente, não pegou entre os fãs. Uma pena.

É um disco diferente. Acredito que os fãs não aceitaram tão bem porque incorporaram a opinião dos críticos. Todos nós sabemos que críticos foram criados para falar mal, falar que goste de algo que ninguém nunca ouviu falar, só pra falar que é cult.

Sobre o álbum. Dentro de sua proposta é eficaz e com uma qualidade técnica igual aos seus antecessores. Não agradou tanto porque a expectativa era tão grande pelos 3 trabalhos anteriores que dificilmente conseguiria repetir feito extraordinário alcançado por estes três. O importante é que diverte, e diverte bem.

No próximo post um excelente álbum que agradou a gregos e troianos: Seventh son of a seventh son.

Até mais, abraços.

Danilo Duff

terça-feira, 10 de março de 2009

Iron Maiden: Powerslave

Neste quinto capítulo da série falarei do álbum que fecha a trinca de ouro do Maiden: o álbum intitulado Powerslave. Este álbum é um primor de técnica e qualidade.
Começando pela capa, com detalhes ocultos, como a inscrição “Indiana Jones was here 1941 (Indiana Jones esteve aqui 1941)” e o desenho de um Mickey Mouse bem tosquinho. Pela primeira vez a banda consegue repetir a formação do álbum anterior. Musicalmente não tem erros técnicos. Bateria, baixo e guitarras bem equalizadas, na mesma amplitude de som do vocal.
O que mais me impressiona em Powerslave são as letras. Além do contexto em que são escritas (seguindo a tendência de falar sobre guerras – Aces high – e literatura - Rime of the ancient mariner), são de uma sincronia incrível com as melodias.
Com 8 canções, talvez seja o álbum com o maior número de hits da história do Maiden (Aces high, 2 minutes to midnight, poweslave, rime of ancient mariner). Embarquemos nesta fábula da escravidão.
Título: Powerslave
Ano: 1984
Duração: 51’01’’

Integrantes:
- Bruce Dickinson: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Nicko McBrain: bateria;

Faixas:

1. Aces high: Clássico indispensável em qualquer show da donzela. Abre o disco com riffs de guitarras e a bateria apenas na caixa e prato. Com esta perfeita sincronia a música é reconhecida desde a Groelândia até o Sri Lanka. O baixo é a galopante, juntamente com a voz de Bruce em um dos mais refrões mais empolgantes da história do heavy metal. O instrumental é tão “felomenal” que esqueci de mencionar a letra, que descreve a batalha entre a força aérea britânica e o exército alemão nos céus da Inglaterra durante a Segunda Guerra. Queria ter cabelo grande novamente só para bater começa nesta música!

2. two minutes to midnight: Vão ser f* lá no quinto dos infernos. Adrian Smith e Dave Murray estavam inspirados para criar riffs poderosos como desta música. A bateria segue um ritmo tão rápido quanto na música anterior e o baixo é pesado e perfeitamente audível. Música perfeita e refrão idem.

3. Losfer words (Big’ Orra): Não é todo mundo que gosta de música instrumental. Já teve até amigo meu falando: “Já que você gosta tanto de instrumental, monta uma orquestra sinfônica!”. Pois é! Eu gosto é de música, não disso aí citado. E adoro instrumental (já ouviram YYZ do RUSH? Levanta até defunto). Losfer words não é muito longa (4 minutos) e tem um andamento bem característico, começando com guitarras e baixo no mesmo compasso. Após a introdução tem um belo solo de guitarra e volta com repetições de acordes. Talvez a melhor instrumental já gravada pela banda.

4. Flash of the blade: Uma das faixas preferidas pela minha senhora (dona Daiane Ramone). Realmente é empolgante. Musicalmente esta faixa tem a característica de cada guitarra fazer um papel diferente na composição harmônica. Enquanto uma faz a base a outra produz um solo simples, mas eficiente. Em outra parte da música, enquanto as guitarras se degladeiam, o baixo conduz a base da música. A bateria mantém uma velocidade constante durante toda melodia. O vocal de Bruce lembra bastante aquele utilizado em Piece of mind, com agudos no fim de cada estrofe. Um pouco desconhecida, mas de excelente qualidade.

5. The duellits: Diz-se que a letra é baseada em uma lenda dos séculos 15 e 16 que quem pegasse uma luva jogada no chão por um desafiante lutaria com este até a morte. Aparentemente tb foi baseada em um filme de Ridley Scott. O maior destaque é o vocal de Bruce e as viradas de Nicko na bateria.

6. Back in the village: O ritmo alucinante das outras faixas continua. O baixo é galopante, mas as guitarras são um pouco menos pesadas do que nas outras músicas. A letra tem relação direta com The prisioner , da qual eu gosto bastante (do álbum The number of the beast).

7. Powerslave: A introdução de baixo de Steve Harris é uma das mais bem trabalhadas de toda sua carreira. A música tem o peso certo, com um vocal sombrio e a mesmo tempo melódico de Bruce. O coro de vozes como fundo da música nos remete ao significado da faixa-título. A letra é sobre um rei faraó que tem seu pai morto, e reza a lenda que os mortos são incorporados ao deus egípcio Osíris. Com a morte do pai este rei é dito como Deus vivo na Terra. Por sua vez este se sente refém da crença. Por isso o “powerslave” (escravo do poder).

8. Rime of the ancient mariner: um palavra basta para definir esta música: Excepcional. Com mais de 13 minutos e sem repetir uma única frase, esta canção conta a história de um marinheiro que é amaldiçoado por Deus por matar um albatroz, sendo baseada em um poema do escritor Samuel Taylor Colerige. Composta apenas por Steve Harris, é considerada por este como sua melhor composição. O instrumental é épico, com grandes variações rítmicas e um vocal esplendoroso de B. Dickinson. Magnífico.

Um álbum completo com instrumental pesado e complexo, músicas para todos os gostos. Sem dúvida o auge da capacidade criativa da banda. Chega ao fim os tempos áureos da donzela - não que os próximos dois álbuns não seja bons - mas esta fase é brilhante demais para se conseguir algo próximo.

No próximo post falarei sobre um álbum que é uma verdadeira discórdia entre os fãs: Somewhere in time. Por que a polêmica sobre este álbum? Analisaremos no próximo programa, nesta mesma hora, neste mesmo canal!!
He!He!He!He!

Abraço
Danilo Duff.

domingo, 8 de março de 2009

Grandes obras-primas do heavy metal: Iron Maiden - Piece of mind


Imagine a responsabilidade de lançar um álbum um ano após o grande sucesso de The number of the beast. Era essa a expectativa dos fãs em relação ao lançamento de Piece of mind de 1983.
O quarto disco da carreira da banda apresentou um disco com sonoridade diferente dos padrões da época, com vocal melódico e arranjos mais técnicos e trabalhados.

Os padrões musicais dos anos 80 começavam a sofrer uma mudança de rumo em seus estilos. A crítica da época dizia que era a década perdida. Apresentaram-nos novas vertentes: a new wave, o thrash metal, cortes de cabelos esdrúxulos (terríveis franjas), roupas de gosto duvidoso e abusaram do uso de sintetizadores nas músicas.
Era a tendência. Mas o grupo optou por abdicar desta corrente e compilou verdadeiros clássicos que marcaram não somente a banda com toda a história do rock n’ roll. Vejamos.

A história do álbum:

O ano de 83 começaria com uma mudança: a saída do excelente baterista Clive Burr para a entrada de Nicko McBrain. Mais uma mudança, que no final mostrou-se a melhor saída para o grupo. Nicko tem uma energia inigualável (está sempre sorrindo) e uma técnica digna de elogios.
Uma curiosidade: durante os testes para contratação do novo baterista, Steve Harris já havia composto a música de abertura do disco – Where eagles dare – e estava repassando com os outros integrantes como ele queria os arranjos. Sentou-se a bateria e pediu para McBrain que tocasse assim. Como baterista, Harris era um excelente baixista. Nicko sentou no banco da batera e falou: “ ... o quê vc queria era isso?” . Harris soltou: “ É! Está contratado!”

Voltando ao disco. Quando este foi lançado, a repercussão foi tremenda. Superar o The number... seria difícil e a banda conseguiu com maestria. Primeiramente na voz de Bruce Dickinson. Seu vocal afinadíssimo caiu como uma luva as letras mais complexas compostas até hoje pelo grupo. Hora destilando frases que se encaixam perfeitamente com as melodias, e depois utilizando agudos é o trabalho perfeito de sua carreira.
Na parte instrumental o entrosamento entre Adrian Smith e Dave “boneco Chucky” Murray foi perfeito. Os melhores solos já feitos por ambos, a sincronia com o baixo de Harris era único. Sua performance em “Die with your boots on e to tame a land” é emblemática.

Mas o destaque fica por conta da estréia de Nicko McBrain na bateria. Quando se escuta pela primeira vez Where eagles dare não se consegue prestar atenção em outro instrumento a não ser a bateria. Viradas espetaculares, uso dos pratos na condução da música e principalmente a velocidade do bumbo. Nicko sempre utilizou apenas um bumbo e pedal simples. Conseguiu imprimir uma velocidade de pedal duplo que surpreendeu a todos. Simplesmente sensacional!

Típico álbum em que TODAS as canções são de excelente qualidade fica até difícil escolher a melhor. Discutiremos a seguir esta opinião. Acompanhem.

Curiosidade: O título Piece of mind como tradução literal seria "pedaços da mente", mas foi proposital o trocadilho com Peace of mind que seria "paz da mente" ou "paz de espírito", algo que Eddie procuraria após o confronto com o capeta no álbum anterior.

Título: Piece of mind
Ano: 1983
Duração: 46’04’’

Integrantes:
- Bruce Dickinson: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Nicko McBrain: bateria;

Faixas:

1. Where eagles dare: É top 5 das melhores músicas do Maiden em minha opinião. Abre o álbum magistralmente. A bateria inicia, ditando o ritmo, como citado no começo do texto. Já as guitarras dão um show a parte. Liricamente sincronizadas, nos proporcionam uma aula de como se tocar. Os solos não são aqueles intermináveis e cansativos, pelo contrário é só escutar que eu arrepio. O baixo tem um destaque maior que no The number. Inesquecível.

2. Revelations: Finalmente, Bruce compõe uma música sozinho. Não podia ter estréia melhor. Trata-se das revelações presentes no livro Apocalipse da Bíblia. A estrofe inicial é uma citação de uma oração inglesa de G. K. Chesternon. A letra bem complexa conta como seria o fim dos tempos de acordo com a crença dos ingleses. Sempre sonhei em toca-la no baixo. Um dia quem sabe.

3. Flight of Icarus: Seu sucesso na época não deve-se apenas ao lançamento em single, mais pela qualidade dos arranjos e pelo vocal de Dickinson. Entoando agudos sem nunca desafinar, utiliza de toda técnica para carregar a música que por si só já é um clássico. Na capa do single mostra um Eddie alado atrás de Icaro, que na mitologia grega ficou preso no labirinto com o minotauro, e para fugir construiu asas de ceras e penas, mas voou alto demais e suas asas foram queimadas pelo Sol. Tem um dos melhores refrões da banda:
“ Fly , on your way, like an eagle
Fly as high, as the sun
On your way, like an eagle
Fly and touch the sun ...”

4. Die with your boots on: Boas viradas rítmicas. O vocal é agressivo, tem dois solos muito legais de guitarra. Fala sobre a honra e a coragem que os homens devem ter para enfrentar suas dificuldades. Até no refrão cita a frase: “ Se for para morrer , que morra com suas botas...” . Não deixa de ser atual.
5. The tropper: Maior clássico do álbum. Talvez a música do Maiden mais regravada por outras bandas. Excelente para todos os headbengers baterem cabeça. O riff de guitarra no começo da música é inconfundível. A bateria cria seu espaço com velocidade e compasso que viriam a ser característico de Nicko McBrain. O vocal de Bruce é destaque e entre uma estrofe e outra tem o sempre presente Oh!Oh!Oh!Oh!Oh!. Presença obrigatória nos shows, Dickinson sempre pega uma bandeira da Inglaterra e começa a impunha-la, em alusão ao tema da música (guerra da Criméia entre o exército inglês e o russo). Um dos maiores clássicos de todos os tempos. Sem dúvida.

6. Still life: Esta música tem um início que é cantado ao contrário e quando é tocada de maneira correta surge à mensagem: “ não mexa com aquilo que você não entende”. Este aviso é uma brincadeira que a banda colocou para aquelas pessoas que acreditam que nos discos tem mensagens subliminares ou satânicas. Falando da música ela é bem cadenciada, com um refrão bem legal. Outra curiosidade: é uma das únicas músicas em que o guitarrista Dave Murray colabora em sua composição.

7. Quest for fire: Talvez seja a canção menos conhecida da banda. É rápida, com um vocal mais ritmado e menos melódico que em outras músicas. Fala sobre a busca e a descoberta do fogo pelo homem através dos tempos. É a única que fica abaixo das outras. Leva um 9,0.

8. Sun and steel: Música rápida, refrão cativante. É assim o espírito de Sun and steel. Uma canção poucas vezes executada pela banda. Destaque para o baixo de Harris. Uma música para divertir, sem grandes pretensões.

9. To tame a land: O grande épico deste álbum. Originalmente o título seria Dune, em referência ao livro escrito por Frank Herbert. Este não aceitou a utilização por não gostar de bandas de heavy metal, especialmente o Iron Maiden. Após este entrave resolveu-se utilizar o título acima. A canção trata da história de Paul Atreides, destinado a ser rei do planeta Dune. Em termo instrumentais é uma verdadeira obra prima. A linhagem de baixo é forte, constante e destaca frente aos outros instrumentos. As guitarras alternam momentos de acordes calmos e riffs poderosos. A bateria continua seu bom trabalho realizado ao longo do álbum. E Bruce Dickinson canta como se estivesse contando uma história. Infelizmente a música é pouco conhecida. Os fãs não sabem o que estão perdendo.

Finalizando os trabalhos, não há o que reclamar desta obra prima. Praticamente todas as bandas tiveram momentos em que seus trabalhos se destacaram perante outros. Este é o caso de Piece of mind. Um disco sem escolhas erradas de repertório, temas abrangentes nas letras das músicas, mas não divergentes em si. Instrumentalmente, junto com Powerslave, é sem sombra de dúvidas a melhor produção da banda. Momentos de grande criatividade, com destaque para o cativante Nicko McBrain, que apesar da estréia estava seguro. Poderia tecer mais umas dez páginas de elogios, mas seria redundante.

No próximo post falarei de outro álbum clássico, que praticamente fecha o ciclo de ouro da donzela de ferro: Powerslave.

Abraço.
Danilo Duff

sábado, 7 de março de 2009

Iron Maiden: The number of the beast

Como disse no post anterior, o referido disco é um divisor de águas da banda. Ficou no top 10 das paradas britânicas e americanas durante um bom tempo (fato raro para uma banda de heavy metal).

Causou muita polêmica pela escolha do título, uma alusão ao número 666 ser o número da besta. A imprensa, em conjunto com a igreja e outros setores, desceram o sarrafo no grupo, intitulado como satanista.

A história nos conta diferente. Vejamos:

A história do álbum:
Após a gravação do segundo álbum Killers, o grupo passava por um momento conturbado. Steve Harris e Paul Di’anno já não se entendiam. Harris cobrava mais empenho e exigia cuidado com a voz de Di’anno. Este, por sua vez, consumia álcool e drogas em excesso, atrapalhando a convivência com a banda. Acredita-se que este foi o principal motivo para sua saída. Com a entrada de Bruce Dickinson a banda ganhou outra estrutura nas melodias.
Com um estilo de cantar mais voltado para o melódico, deu uma guinada de estilo, sendo que Paul Di’anno era mais agressivo e grave e Bruce abusa de agudos. Outra saída após a gravação do disco The number of the beast é a do bom baterista Clive Burr, presente desde o primeiro disco.

Como havia dito, este álbum é um divisor de águas pelo impacto que causou. Com o single “Run to the hills”, o disco chegou ao top 10 das paradas britânicas. Desde sua fundação, a banda era de certa forma, estigmatizada por suas letras e pela utilização de Eddie como uma espécie de mascote. Com “The number of the beast” as comparações chegaram a níveis inimagináveis.
As ilustrações de Derek Riggs contribuíram para isso, quando Eddie manipula o tranca-rua na capa do disco e o single citado mais acima (Run to the hills), em que o mascote duela com o diabo em uma colina utilizando o machado de Killers.

Observando o possível potencial que o tema teria, a letra da faixa-título fala, resumidamente, da superstição, do misticismo e do medo que o número 666 causa no imaginário popular. A maioria das letras da banda é baseada em filmes, poemas e livros - como acontece com a primeira estrofe da música - recitando um trecho do livro do Apocalipse (livro das revelações) cap. 13 v. 18 e a letra da música, retirada do filme a Profecia II.

Caso os fãs do Iron sejam questionados quanto aos discos preferidos, 9 de 10 “Ironmaníacos” escolherão este álbum. Gosto muito dele, todavia, não é o meu preferido. Contudo, o “The number of the beast” é tão espetacular como outros. Vamos conferir a estréia de Bruce Dickinson nos vocais da donzela. Up the Irons!

Título: The number of the beast
Ano: 1982
Duração: 40’22’’

Integrantes:
- Bruce Dickinson: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Clive Burr: bateria;

Faixas:

1. Invaders:: Inicia com a bateria e baixo em ritmo bem acelerado. A letra fala da invasão dos povos nórdicos (vikings) ao norte da Grã-Bretanha e com a eminente derrotada dos saxões. Excelente escolha para abertura dos trabalhos.

2. Children of the Damned: Baseada no filme de 1964 de mesmo nome. Conta a história de seis crianças com estranhos poderes mentais e que são queimadas na fogueira por acreditarem que são filhos do demo.

3. The prisoner: Tem um diálogo no início que foi retirado da série de mesmo nome. A letra também é baseada na série. Destaque para o refrão, daqueles feitos especialmente para Bruce.

4. 22 Acacia Avenue: Muitos pensam que esta música é do que chamam de banda Calypso. É só ir no you tube e conferir. Brincadeiras a parte, a música é bem trabalhada, é uma continuação de Charlotte the harlet (do primeiro álbum), tanto que o “excelente” Chimbinha não consegue acompanhar o solo da guitarra.

5. The number of the beast: Chegamos ao ponto de convergência (ou será divergência) do álbum. Até quem não conhece a banda já ouviu falar em “The number of the beast” e a chamam de 666. Esta, junto com Run to the hills são os hits deste álbum, e mesmo com seu apelo comercial são de excelente qualidade musical, com riffs que a reconhecemos de longe.

6. Run to the hills: Um clássico que sempre está presente em shows e coletâneas. Como relatei na história do álbum, Eddie corre para o topo de uma colina e duela com o tranca-rua, até dominá-lo e manipular como um boneco (vide a capa do disco). Os acordes da guitarra no início da música são inconfundíveis e mostram bem o ritmo que a música toma. Refrão chiclete e empolgante (e quem disse que todo refrão chiclete é ruim!).

7. Gangland: Se até o dono da banda Steve Harris diz que é ruim o que eu posso fazer.

8. Hallowed by the name: É a música mais bem trabalhada do álbum. Tem 7 minutos e ninguém reclama. Os acordes iniciais lembram sinos dizendo que sua ora chegou. Mas a letra e o título (Santificado seja vosso nome) realmente aborda o juízo final. A voz de Dickinson dita a apreensão sobre os últimos momentos da vida de um homem. Quase épica, um clássico. Hallowed by the Iron Maiden.

Este disco é tão especial que qualquer relato a mais seria considerado irrisório. Um disco que só não leva a nota 6,66 porque seria injusto.

No próximo post falarei sobre o melhor disco da banda na minha opinião: Piece of mind.

Abraço.
Danilo Duff

quinta-feira, 5 de março de 2009

Iron Maiden - Killers

Continuando a série sobre os álbuns que compõem a turnê Somewhere back in time tour, falarei do álbum Killers. Um disco divertido e matador. Confira!

A história do álbum:

O segundo álbum do Maiden é marcado pela saída do guitarrista Dennis Stratton e a entrada de Adrian Smith, ficando na banda até o álbum Seventh son of a seventh son.

O álbum Killers tem uma pegada até mais rápida e agressiva que o primeiro – Iron Maiden. Com a entrada de Adrian Smith no lugar de Stratton, o grupo ganhou em qualidade técnica, dando outra roupagem aos arranjos da banda.

A ilustração de Eddie, é mais trabalhado, assassino e assustador que na primeira versão. Aliás, é Derek Riggs o nome por trás das ilustrações das capas dos discos. Aqui, Eddie carrega um machado em suas mãos e vagando pelas ruas de Londres, procura suas possíveis vitimas. Segundo a lenda, a mão que agarra e implora piedade à Eddie é Margareth Thatcher, primeira ministra inglesa e “dama de ferro” da rainha Elizabeth.

O nome do álbum é também uma provocação a primeira ministra, já que esta foi morta no single Sanctuary, do primeiro disco. É o marketing positivo criado pela banda, não somente para vender seu discos, mas também para aguçar a imaginação dos admiradores e críticos da banda.

Título: Killers.
Ano: 1981
Duração: 38’38’’

Integrantes:

- Paul Di’anno: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Clive Burr: bateria;

Faixas:
1. The ides of march: Faixa instrumental. Curta, mas marcante. Destaque para as viradas da bateria.

2. Wrathchild: A clássica do disco. Não pode faltar nos shows. O baixo magistral inicia uma canção com letra forte e vocal raivoso de Paul Di’anno.

3. Murdes in the rue Morgue: Esta é sobre um assassinato nas ruas escuras de Paris. Refrão é cantado rapidamente que é difícil até acompanhar. Como em praticamente todo álbum, a bateria de Clive Burr é o destaque pelas viradas rápidas e uso constante dos pratos.

4. Another life: De diferente apenas a guitarra, com um riff típico daqueles que pode-se até cantarolar. Eu não gosto muito desta.

5. Genghis Khan: Outra instrumental. Até legalzinha. A batera é rápida no início e mais lenta no final. O baixo tem pouco destaque. Dou um 6,66 !

6. Innocent exile: Tem no baixo simples e eficiente o Messias da música. É a única coisa que salva. Bem fraquinha.

7. Killers: Esta sim é excelente. Mais uma do álbum para falar de morte. Relata a “crise existencial” de uma criatura que arrepende-se ou não por aniquilar sua vítima. No final diz:
“.. oh God help me, what have I done¿ Oh yes, I’ve it done!” ( “..oh Deus ajude me, o quê eu fiz¿ Oh sim, eu fiz!”)

8. Prodigal son: Legalzinha. É a única balada do disco. Tem um vocal depressivo, muito parecido com Phantom of the Opera (com as devidas ressalvas). Serve como descanso p/ ouvido.

9. Purgatory: Excelente faixa para os headbengers baterem cabeça. O refrão é daqueles que pulsam na cabeça por horas.

10. Twilight zone: É curtinha, tem só dois minutos, coisa rara em bandas assim. É uma canção que não compromete, mas também não empolga. Coluna do meio.

11. Drifter: Voltamos com guitarras rápidas, baixo um pouco aquém das expectativas e a bateria com toda a energia.

Enfim um disco bom (leva um 7,5), inferior ao primeiro (Iron Maiden), mas com suas peculiaridades. Amanhã falarei da fase de ouro da Donzela, o álbum que é um divisor de águas para a banda e os fãs: The number of the beast.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Iron Maiden: os álbuns, a turnê !!

Há exatamente um ano estava no show em SP da turnê Somewhere back in time tour. Agora veremos a turnê passar aqui por Brasília. Com a aproximação da apresentação histórica da banda na nossa cidade, publicarei uma série de textos sobre os álbuns que representam as canções presentes na turnê.

A turnê Somewhere back in time tour reúne o melhor dos 7 primeiros álbuns da carreira da donzela de ferro (todos os discos da década de 80) e mais o álbum Fear of the dark (o nono da carreira – de 1992). O disco No prayer for the dying ( o oitavo de estúdio) ficou de fora por uma simples razão: é ruim.

Com uma temática diferente de outras bandas, que falam basicamente sobre problemas sociais, sexo e drogas, o Iron Maiden sempre priorizou as letras que falam sobre mitos, crenças, superstições e literatura inglesa. Após a entrada de Bruce Dinckinson no grupo este fato tornou-se mais notório.

No início, com Paul Di’anno nos vocais e um Steve Harris com seus vinte e poucos anos e principal letrista a característica era a rebeldia, as mulheres, temas recorrentes justamente por causa da idade. Passando esta fase (dois primeiros álbuns), começou-se a guinada no estilo de vocal, arranjos e letras. Comprovaremos isto.

Iniciaremos com o primeiro álbum: Iron maiden.

A história do álbum: A primeira formação para gravação deste álbum tem como destaque os vocais de Paul Di’anno, com seu estilo de vestir bastante similar ao de integrantes de bandas punks do final da década de 70, vocal agressivo, rápido e com peculiar timbre, bem diferente de Bruce Dickinson, mais agudo e melódico.


A parte instrumental é bem característica do início dos anos 80, com as guitarras com riffs rápidos e o baixo com tom bem grave. Muitas das bandas da época tinham dois guitarristas, e estes eram divididos em guitarra base e solo. Já no Iron nunca existiu esta divisão. O guitarrista Dave Murray – o boneco Chucky - (desde o início na banda) e Dennis Stratton fazia perfeitamente as duas funções, criando assim um som diferenciado de outras bandas.

Como Steve Harris é o principal letrista, também tem opinião decisiva sobre os arranjos da banda, encaixando perfeitamente com sua composição harmônica e letra. Fato que influencia diretamente sobre a inserção ou não de novos músicos na banda, como o caso da entrada do baterista Nicko Mc Brain, que relatarei posteriormente (álbum Piece of maid). E a presença de Clive Burr nas baquetas garantiu uma bateria poderosa e com viradas que acompanhavam a velocidade do baixo de Harris.



Titulo: Iron Maiden.
Ano: 1980
Duração: 37’35’’

Integrantes:
- Paul Di’anno: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Dennis Stratton: guitarra;
- Clive Burr: bateria;

Faixas:

1. Prowler: Com riffs de guitarras inconfundíveis e tocada de forma rápida e precisão, abre bem o disco.

2. Sanctuary: Presente apenas na remasterização em CD, foi lançada como single na época.

3. Remember tomorrow: É outro destaque pelo vocal mais coeso de Paul Di’anno e um arranjo mais lento do que o usual em todo o álbum.

4. Running free: juntamente com Iron maiden são os hits deste álbum. A letra lembra bem o ideal juvenil deste início de década (correr livre, sem expectativas, apenas beber e se divertir era o importante).

5. Phantom of the opera: é a musica mais longa do álbum (7 minutos). Começa com um arranjo de guitarras e baixo no mesmo compasso. O baixo de Harris começa a se destacar com estilo próprio, “as cavalgadas” , técnica na qual tocam-se as cordas do baixo alternando os dedos indicador, médio e anelar, com velocidade e regularidade constantes.

6. Transylvania: é a primeira música instrumental gravada pelo Maiden, acordaria até o conde Drácula.

7. Strange world: não gosto muito desta.

8. Charlotte the harlot: Conta a história de uma prostituta. É uma das minhas preferidas deste disco. Tem uma continuação no álbum The number of the beast (música 22 Acacia Avenue).

9. Iron maiden: O maior clássico do álbum, a música título, contando a história do instrumento de tortura que deu nome ao grupo. Tem um dos melhores refrões da banda (“ Iron maiden wants you for dead...”). Indispensável em qualquer apresentação.

Por hoje é isso. Amanhã continuaremos com o segundo álbum Killers.

Abraço a todos.
Danilo Duff.

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