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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O que se passa no Haiti?

Há algumas semanas, o Haiti e o mundo foram surpreendidos por uma grande catástrofe natural. Um terremto de grandes proporções, atingiu em cheio o Haiti na sua capital, Porto Princípe.
Milhares de mortos. Alguns prognósticos apontam para 100.000 e outros para até 200.000 vítimas fatais. Populações e governos de todo o mundo se solidarizam com o povo haitiano e começam a se mobilizar para mandar mantimentos e ajuda humanitária em geral.
Entretanto, antes do terremoto, a população haitiana estava sofrendo um grande genocídio. E um genocídio não por um desastre natural. Mas pelas mãos do próprio homem.
Em 2004 o então presidente, Jean Bertrand Aristide, sofre um golpe de estado orquestrado pelos Estados Unidos da América. Tanto que Aristide foi retirado do país e mandado para a África por militares americanos. Motivo: Aristide não rezava a cartilha americana e apesar de suas convicções de esquerda, era mais próximo de Bill Clinton e pouco ou nada simpático às idéias de George Bush, então presidente americano.
Mas os haitianos não se deram por rogados e começaram a se manifestar reivindicando a volta de Aristide ao poder. Bush então, pediu ajuda à ONU para que fossem mandados soldados de vários países para nada mais nada menos, reprimirem essas manifestações. Pediu também ao Presidente Lula que não só o Brasil atendesse o seu chamado e o da Organização das Nações Unidas, como também liderasse as tropas no referido país.
Portanto, estou aqui afirmando, que ao contrário da idéia que é passada pelo governo brasileiro, como também pela grande mídia nacional, as tropas da ONU (Minustah) não estão lá para reprimirem a ação de gangs e criar meios para se proporcionar "estabilização econômica" no país caribenho, a versão oficial nada mais é do que uma farsa. As tropas estão lá, para isto sim, reprimirem os movimentos populares pró-Aristide e contribuírem assim para o sucesso do Golpe de Estado dado por Bush. Nossos soldados estão então, servindo apenas como "bucha de canhão" para os interesses americanos naquela nação. O Atual presidente, René Préval, é um simpatizante do então presidente Bush. Mas também é bom que se diga, que o governo brasileiro também tem seus interesses. No caso do Haiti, o real interesse do Brasil é agradar à ONU para que o país consiga uma cadeira no Conselho de Segurança da organização. O problema é que isto está sendo às custa da derrubada da democracia e de sangue do povo haitiano.
Apresento aos caros leitores do NRDR, um vídeo que mostra cenas da ação das tropas da ONU, onde são cometidos abusos contra cívis inocentes, mulheres e crianças inclusive e desarmados. Imagens estas que portanto provam o que eu estou a lhes afirmar. Vale dizer que as imagens são de 2005 e 2006, ou seja, antes do terremoto.
O vídeo está disponível no Youtube e está dividido em duas partes. As imagens foram feitas pelo jornalista haitiano Jean-Baptisti Ristil. O documentário foi montado pelo jornalista Kevin Pina.
No documentário que também está disponível em DVD, aparecem imagens de manifestações a favor de Aristide. Manifestações estas realizadas em Cite de Soleil, bairro de Porto Princípe. Apenas dois dias depois, os soldados da ONU invadem a localidade e saem metralhando todo mundo. E tudo isso aconteceu em mais de uma oportunidade. O motivo utilizado pelas Nações Unidas é de que estavam ali atrás de membros de gangs. Mas será que todos ali são criminosos? Isso também é questionado no vídeo, inclusive por um cidadão haitiano que não quis se identificar.
Tenho dito aqui, que sou diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Federais, o SINDSEP. Em agosto de 2009, recebemos no sindicato o advogado haitiano David Josué. O referido advogado tem trabalhado denunciando o abuso cometido pelos militares em seu país. O DVD foi exibido no auditório do sindicato e tal evento foi divulgado através do nosso jornal. Vários foram os servidores que estiveram presentes no evento. No dia seguinte, o acompanhei no Congresso Nacional pois haveria ali, mais precisamente no Senado, uma Audiência Pública na Comissão de Relações Exteriores da citada casa, onde denunciaríamos essa verdadeira matança. O Senador Eduardo Suplicy, ao tomar conhecimento do vídeo, ficou assustado e como é membro de tal comissão, nos apresentou aos demais senadores em plena audiência, onde também foi apresentado o vídeo que cada um de vocês tem acesso agora.
Mas talvez vocês perguntem: Mas será que os meios de comunicação não divulgam porque não sabem do que está acontecendo? Respondo: Não divulgam por razões políticas mas nunca por desconhecimento dos fatos. Tanto é verdade que eu estava chegando no gabinete do referido senador quando um importante canal de televisão estava ligando para obter uma cópia do DVD. A funcionária que atendeu a ligação me disse que iria viabilizar a cópia para que no horário combinado eles o pegassem com ela.
O vídeo foi traduzido para o português e em momentos onde populares fazem uso da palavra, aparecem legendas.
Esclareço, para os devidos fins, que o vídeo, tanto em sua primeira parte como em sua segunda, tem imagens fortes.
Quem se interessar e quiser saber mais, bem como obter uma cópia do DVD, apesar de estar disponível no Youtube, deixo o meu telefone: 61-9223-7782.

Primeira Parte: http://www.youtube.com/watch?v=0VUrXB2Yuf0

Segunda Parte: http://www.youtube.com/watch?v=WGe1l6m15SE


Haiti - Um breve Histórico

Em seus primórdios, o Haiti era ocupado por índios arauaques, quando, em 1492, Cristóvão Colombo chegou ao país. O espanhol batizou o lugar de Hispaniola. Os índios foram escravizados e a população nativa foi praticamente dizimada.
Em 1697, através da assinatura do Tratado de Ryswick envolvendo Espanha e França, a parte ocidental da ilha, foi cedida à França, recebendo o nome de Saint Domingue, onde houve o cultivo de açúcar com a utilização de mão de obra escrava africana.
Porém, os escravos africanos, influenciados pelos ideiais da Revolução Francesa, rebelaram-se em 1791, liderados pelo ex-escravo Toussaint L’Ouverture. A abolição da escravidão ocorreu em 1974, Toussaint foi nomeado governador vitalício em 1801. No entanto, uma expedição francesa encarregada de reconquistar a ilha prendeu Toussaint, que fora enviado para França, onde morreu em 1803. Jean-Jacques Dessalines, ex-escravo, deu continuidade ao movimento de resistência.
O Haiti obteve sua independência no dia 1° de janeiro de 1804, passando assim a ter o nome atual. Foi a primeira República Negra das Américas e o primeiro país latino-americano a se tornar independente.
A elite, composta por mulatos, ficou insatisfeita com a nova política instalada no país, e, em 1806, tomou o poder após o assassinato de Dessalines.
Em 1957, teve início o período mais complicado da história do Haiti. Naquele ano, o médico François “Papa Doc” Duvalier foi eleito presidente da nação, instalando um regime ditatorial baseado na repressão militar que perseguiu muitos opositores, inclusive a Igreja Católica. Sua guarda pessoal, os tontons macoutes (bichos papões) eram os responsáveis pelos massacres. O assassinato de Papa Doc ocorreu em 1971. Seu filho Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, assumiu a presidência do país, dando continuidade às perseguições. Os protestos populares contra o regime ditatorial aumentaram, e Baby Doc fugiu para a França em 1986, deixando no poder uma junta governativa chefiada pelo general Henri Namphy. Com nova Constituição, realizaram eleições presidenciais livres em 1990, a maioria dos eleitores (67%) optou pelo padre esquerdista Jean-Bertrand Aristide. Porém, no mesmo ano, Aristides foi deposto por um novo golpe militar e a ditadura foi novamente implantada no país. A Organização das Nações Unidas (ONU) impôs sanções econômicas ao Haiti para forçar a volta de Aristide.
Somente em 1994, Aristide retornou ao cargo de presidente do Haiti. Entretanto, os problemas no Haiti persistiram, fazendo com que Aristides fugisse para a África em fevereiro de 2004 e, atualmecontinuaram, o país sofre intervenção internacional pela ONU. Além de todos esses entraves políticos, a população haitiana enfrenta vários obstáculos de ordem socioeconômica. O Haiti é o país economicamente mais pobre das Américas, cerca de 60% da população é subnutrida e mais da metade vive com menos de 1 dólar por dia. Essa parcela da população vive abaixo do nível de pobreza.
Abraços a todos;
Carlos Henrique.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Uma Análise Sobre o Filme Lula, o Filho do Brasil

Lula, o Filho do Brasil, de Fábio Barreto, em cartaz em todo o país, é um filme para entrar para a história. Retratar a vida de um Presidente da República não é necessariamente uma novidade. Mas nunca da forma como é retrada a vida de Lula.

Em primeiro lugar, como falar da vida pobre e humilde na infância de um presidente, se nunca tivemos um que estivesse estado nessa condição? Não como Lula, um nordestino, do interior de Pernambuco que nasceu numa pequena cidade pobre no meio do semi-árido brasileiro e que migrou em um caminhão "pau-de-arara" do nordeste para o sudeste na busca de uma vida melhor, como milhões de brasileiros já o fizeram nestes mais de 500 anos de idade que nosso país possui.

A fase de Lula já na adolescência, mostra um jovem trabalhador que ajudava no sustento da família.

Veio o violento e opressor Regime Militar e anos depois, influenciado por seu irmão, Lula começa a vivenciar as suas primeiras experiências já então como sindicalista. Posteriormente, inicia uma verdadeira transformação na política sindical do sindicato dos metalúrgicos do ABC, quando então é preso e fichado pelo DOPS (hoje ABIN) um dos órgãos de repressão do regime.

Mas ao mesmo tempo que vive tais questões sociais, vive outras igualmente importantes em sua vida particular.

O filme trás informações de destaque sobre sua vida e sobre a vida política do país. E neste sentido, vale ser assistido tanto pelos defensores do presidente como por aqueles que não apreciam seu governo.

Não sou um eterno fã do governo atual com o qual tenho concordâncias e discordâncias. Mas algumas coisas são fatos:

1 - A eleição de Lula, representou um fato político importantíssimo quase único no mundo. Comparável apenas a eleição de Lech Walesa, em 1990 na Polônia, outro líder de origem sindical e perseguido político em seu país.

2 - Como já dito no início deste texto, pela primeira vez temos na presidência da república, alguém de origem tão humilde. Um trabalhador no sentido literal e não um empresário ou qualquer outro representante da oligarquia deste país. Algém que sentiu na pele o que é pobreza, o que é ter fome.

3 - Lula é um personagem influente da história brasileira e mundial. Com seu trabalho, ele influenciou milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

Para aqueles que não admiram o personagem principal da película, fica o convite para que a assistam e a analisem apenas pelos fatos apresentados. Que a analisem apenas como um filme que pode entrar para a história da cinematografia brasileira pela sua qualidade enquanto obra.

Direção:
Fábio Barreto

Elenco:
Rui Ricardo Diaz (Lula)
Glória Pires (Dona Lindu, mãe)
Milhem Cortaz (Aristides, pai de Lula)
Cléo Pires (Lurdes)
Juliana Baroni (Marisa Letícia)
Lucélia Santos (Professora)

BRASIL – 2009
Duração: 128 minutos

Abraços a todos;
Carlos Henrique.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Tragédia Anunciada

2010 mal começou e já começou com uma grande tragédia que se abateu sobre nós brasileiros. As dezenas de mortos em decorrência dos deslizamentos de terra no sudeste do país, marcam negativamente o início do ano do povo tupiniquim.
Mas não podemos dizer que tal situação é uma novidade. Embora nem todo ano seja tão grave, os deslizamentos são muito comuns neste período. Só para relembrar, no ano passado o problema ocorreu em Santa Catarina.
Não se pode dizer que são acontecimentos naturais. Mera fatalidade. São, isto sim, provocados pela ação humana. Frutos da ocupação irregular e desordenada dos centros urbanos.
Geologicamente falando, as áreas atingidas por desmoronamento, não são apropriadas para nenhum tipo de moradia. Inlclui-se aí, hotelaria.
Porque então, se permite essas ocupações? Basicamente, por dois motivos: No caso do Distrito Federal e de vários outros locais, o voto. Falei aqui há poucos dias, da política (ou falta de ) do ex-governador Roriz. Muitos governos, permitem ocupações irregulares, de olho nos votos dos eleitores. Buscam também, apoiar grileiros. E na hora da eleição, ter o apoio destes, inclusive com dinheiro.
Em outros caso, como é o de Angra, fica claro que a especulação imobiliária e todo o dinheiro que o turismo trás para o município, fala mais alto. Não se exclui aí também, a possibilidade de apoio financeiro no momento eleitoral.
Embora seja verdade que o turismo gera dinheiro para a cidade, podemos verificar que o dinheiro, o voto, ficam acima das perdas de vidas humanas que tais irresponsabilidades podem acarretar.
Uma das prováveis soluções é o financimento público de campanha. Porque toda campanha, custa dinheiro. Havendo o financimento público, através de impostos e tal, não haveria a necessidade dos candidatos e partidos buscarem na iniciativa privada o apoio financeiro. Porque não se iludam. Empresário que ajuda em campanha de candidato, seja ele micro, médio ou grande, nunca ajuda sem esperar de volta alguma coisa. Não ajudam pensando no coletivo. Não ajudam porque esse candidato ou tal partido é o melhor. Ajudam pensando em si. E depois vão cobrar. E a forma deles de cobrar, normalmente trás malefícios para a sociedade, como superfaturamento, fraude em licitações, desvio de verbas que nada mais são do que dinheiro público, ou seja, nosso. Este é o início de toda e qualquer corrupção.
É preciso que o Poder Público se faça mais presente. Que não seja corruptível e que faça valer as leis. Só assim será possível evitar que tragédias que soterram, casas, móveis, vidas. Não adianta só lamentar. Não adianta só governos colocarem esperanças de um feliz 2010 para todos, se as providências cabíveis não forem tomadas. E sendo assim, continuaremos a assistir, pessoalmente ou pela tv, tragédias de igual ou de maior dimensão do que estas.

Abraços a todos;
Carlos Henrique.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

2009: O ano que Brasília não Irá Esquecer

O ano de 2009 vai chegando ao seu fim e nos deparamos, semanas atrás, com aquele que é simplesmente, o maior escandâlo político da história da nossa cidade. Mas ao mesmo tempo, nada que já não tenhamos visto no período histórico do nosso país. Apenas não tínhamos visto no Distrito Federal. Esse talvez seja o grande diferencial deste suposto esquema de corrupção em relação a todos os demais, além é claro das meias, porque cuecas já foram estrelas de um outro filme, aliás bem recente.
E um dos momentos mais lamentáveis e tristes, sem dúvida nenhuma foi o recesso parlamentar. Os Deputados Distritais, mesmo diante de todo este momento político delicado e com graves denúcias contra o governador Arruda que culminaram com pedidos de impeachement entregues na Câmara Legislativa, sendo um deles da OAB, ao votar o orçamento, entraram em recesso numa clara manobra para adiar uma decisão sobre parte do futuro político de Arruda. Digo parte, porque metade deste futuro, a menos que ele possua uma carta muito forte na manga, já está decidido. Sem partido a menos de um ano da eleição, não poderá concorrer a reeleição conforme a legislação eleitoral vigente. O que a maioria governista tenta na câmara, com tal manobra, é esfriar os ânimos da população e assim ficarem mais a vontade para votarem contra tais pedidos de impedimento do governador.
Não estou aqui fazendo um vulgamento parcial. Embora não seja admirador de parte da sua filosofia política e muito menos da filosofia de seu ex-partido, o Democratas, que nada mais é do que um partido burguês e portanto capitalista, composto por banqueiros, latifundiários, grandes empreiteiros, empresários etc..., um dos responsáveis ao lado do PSDB e do PMDB pela onda privativista que vareu o Brasil nos anos 90 através da política emplementada por Collor, Itamar e principalmente Fernando Henrique Cardoso. Onda esta que destruiu parcialmente o Brasil, entregando parte de nossas empresas públicas, como a Vale do Rio Doce, empresas estas que eram patrimônio do povo brasileiro e que hoje pertencem a uma meia dúzia de estrangeiros que tem por ofício, sulgar o nosso país. Mas digo que não faço julgamento parcial, porque apesar disto tudo, o Governo Arruda tinha a minha aprovação. Não apenas pelas obras realizadas ou em realização, que estão melhorando nosso trânsito. Mas também pela melhoria nos transportes coletivos que continuam muito ruins, mas já foram piores, e pela sensível melhoria na qualidade de vida das populações mais carentes que o desenvolvimento da urbanização em suas regiões domiciliares está proporcinando. Se hoje Brasília é uma das sedes da Copa de 2.014, devemos isso ao competente trabalho de Arruda e sua equipe nos trabalhos e articulações feitos para tal. Inclusive a melhoria das vias públicas e dos transportes (como a vinda do VLT e melhorias no metrô) que já citei aqui, além de outras obras como a reforma do Mané Garrincha, são exigências da FIFA.
Mas tudo isso não pode me impedir de me pronunciar neste momento criticando tal suposto esquema. A sociedade brasiliense não pode se calar diante de tais acontecimentos. E nem se esquecer deles. É preciso que aja uma grande reforma politica em nosso país. Bem como no Legislativo e no Judiciário. Que leis já existentes sejam aplicadas. Que a mesma lei que pune o pobre, puna também o rico. E que outras sejam formuladas e colocadas em prática. Mas antes de tudo, o mais importante. É preciso que façamos uma grande reforma de consciência. Porque a corrupção e a desonestidade, no Brasil, são culturais. Estão arraigadas no cultura do povo brasileiro. Portanto, sem essa de dizer que odeia político e/ou política porque são todos desonestos. Primeiro porque isto não é verdade. São as chamadas regras que possuem as suas excessões. Mesmo que raras. Segundo porque sendo a corrupção e a desonestidade, culturais no Brasil, os políticos desonestos são apenas expressões e consequências disto.
Um ponto que me causa preocução é que a meu ver, politicamente quem está se beneficiando de todo este momento, é o ex-governador Joaquim Roriz. Apesar das denúncias darem conta de que o provável esquema teria começado no governo passado. Portanto, em seu governo. E isto é lamentável. Notem que a grande mídia nacional e local, quase não toca em seu nome. A raiva e a revolta da população recai sobre o atual ocupante do Buritinga. Mas polpa Roriz. Em parte isto se dá por culpa da mídia e em parte pelos eleitores de Roriz, beneficiados pela entrega equivocada e sem critérios de lotes no DF. Fato que ficou conhecido pela "Farra do Lote" que contribuiu significativamente para a vinda de consequências danosas para Brasília, como a destruição de nascentes de água e o inchaço da cidade que resultou em um êxodo jamais visto por aqui, aumento dos índices de violência e piora do trânsito.
Em suma, o que podemos tirar como conclusão disto tudo, é que realmente precisamos limpar Brasília e o Brasil de tais práticas. Mas que antes de tudo, temos que limpar nossa cultura. Esta cultura, que é tão rica e bela em todos os outros aspectos, mas que possui este único ponto negativo. E que votar em Joaquim Roriz para governador, ao contrário do que pensam alguns, não é a solução. A eleição de Roriz, leva apenas ao fortalecimento de todas as práticas que precisam ser abolidas na política.

Carlos Henrique Bessa Ferreira

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Câmara aprova o Vale Cultura

A Câmara dos Deputados, aprovou ontem, dia 14 de outubro, o Vale Cultura. É a primeira política pública governamental voltada para o consumo cultural em nosso país. Até hoje, todas as ações tiveram foco no financiamento da cultura. Com o Vale-Cultura os trabalhadores poderão adquirir ingressos para as mais diversas atividades culturais, tais como cinema, teatro, museu, shows, livros, CDs e DVDs, entre outros produtos culturais. É, portanto, uma política de inclusão social. O projeto tem como objetivo, estimular a visitação a estabelecimentos de serviços culturais e artísticos com benefícios evidentes na promoção da inclusão sociocultural e na agregação de capital simbólico ao trabalhador.
O vale será semelhante já conhecido tíquete-alimentação. Trata-se de um cartão magnético, com saldo de até R$ 50,00 por mês, por trabalhador, a ser utilizado no consumo de bens culturais e/ou atividades culturais. As empresas que declaram Imposto de Renda com base no lucro real poderão aderir ao Vale-Cultura e posteriormente deduzir até 1% do imposto devido. O valor do vale leva em consideração o orçamento familiar do trabalhador e possibilitará o consumo de bens culturais sem onerar o beneficiado.
Mas o texto do projeto, coloca regras e limites para o benefício. Os trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos arcarão com, no máximo, 10% do valor (R$ 5,00). Os que ganham mais de cinco salários mínimos também poderão receber o benefício, desde que garantido o atendimento à totalidade dos empregados que ganham abaixo desse patamar. Para esse contingente de salário mais elevado o desconto do trabalhador poderá variar de 20% a 90%. Estima-se que, cerca de 12 milhões de brasileiros poderão ser beneficiados pelo Vale-Cultura.
Estimativas do Ministério da Cultura mostram que o Vale-Cultura pode aumentar em até R$ 600 milhões/mês ou R$ 7,2 bilhões/ano o consumo cultural no país. Além disso, terá o potencial para fortalecer as cadeias produtivas da Economia da Cultura, por meio da geração de renda, trabalho e emprego em setores além do cultural.
O Projeto de Lei que implementa o Vale-Cultura foi originado em estudos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram a exclusão cultural no Brasil: apenas 14% da população brasileira vai ao cinema regularmente, 96% não frequenta museus, 93% nunca foi a uma exposição de arte e 78% nunca assistiu a um espetáculo de dança. Ou seja, em nosso país, existe um verdadeiro exército de excluídos da cultura. Uma verdadeira legião de brasileiros onde os salários dos quais mal dá para pagar as contas e comer. Como ir então a um show, uma peça, uma exposição de arte, etc...? Fala-se muito dos excluídos da escola, do mundo digital, mas com tais números, observamos que existem os excluídos da cultura.
Como a empresa não será obrigada a conceder o Vale-Cultura, o MinC (Ministério da Cultura)aposta nas parcerias e benefícios concedidos para fortalecer a iniciativa. De um lado, estão as empresas de lucro real, que podem deduzir até 1% do Imposto de Renda devido, de outro estão diversas centrais sindicais que já demonstram a intenção de incluir nas negociações coletivas o Vale-Cultura.
Os incentivos fiscais (1% do Imposto de Renda devido) concedidos às empresas de lucro real que optarem pelo Vale-Cultura não concorrem com os benefícios concedidos via Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouannet. Aqui vai um exemplo: Uma empresa que desconta, por exemplo, 4% para a referida lei, poderá apoiar a Cultura também por intermédio do Vale-Cultura. São políticas que se complementam no esforço de diminuir a exclusão cultural no Brasil. A partir da implementação do vale as empresas poderão apoiar paralelamente a produção e o consumo de bens culturais.
É evidente que tal lei é importante e sua aprovação na Câmara, constitui uma importante conquista do povo brasileiro, em especial, dos trabalhadores. Uma iniciativa governamental louvável. Entretanto, não basta apenas aprovar tal projeto. É preciso que no futuro, e próximo, o Vale Cultura se torne obrigatório para todas as empresas e também dentro do Serviço Público e não apenas optativo, como está no texto do PL (Projeto de Lei).
Vale dizer, que embora tenha sido vencida a etapa de votação na Câmara, antes de virar lei, o PL vai para apreciação no Senado e posteriormente à Sanção do Presidente Lula.

Abraços a todos;
Carlos Henrique.

domingo, 27 de setembro de 2009

Estacionamentos Públicos em Brasília: Cadê as Vagas?

A falta de vagas nos estacionamentos públicos de Brasília, constitiui um dos problemas mais crônicos da nossa cidade. Não que isto seja exclusividade dela, pois várias, ou todas as grandes e médias cidades brasileiras sofrem de tal mal. Quantos de nossos valorosos leitores já passaram minutos e minutos a procura de uma vaga em locais como Setor Bancário Sul e Norte, Setor Comercial Sul e Norte, Setor de Autarquias Sul, Esplanada dos Ministérios e várias das entre quadras comerciais do Plano Piloto onde inclusive se situam vários dos barzinhos e casas norturnas em geral da capital? Tenho a certeza que todos ou quase todos. E se tem alguém que ainda não passou por isso, ou não mora aqui ou ainda não possui carteira de motorista. E isto só para citar alguns pontos de maior confluência. Tal problema tem diversas causas, algumas delas a seguir:
1 - Brasilia é uma cidade planejada. Entretanto, planejada para 500 mil habitantes. E não para 3.000.000 como é o caso da população do DF hoje. Fruto do crescimento populacional sem planejamento e irresponsável praticado por governos igualmente irresponsáveis. Quem não ouviu falar da "farra do lote" onde se distribuía lote a quem quisesse e chegasse em Brasília independentemente do tempo de moradia no DF? É claro que qualquer governo que se preze, tem por obrigação viabilizar moradia para a população, em especial a mais carente. Entretanto, para tanto é necessário que se tenha uma política. Determinar regras e condições a serem seguidas e preenchidas pelos candidatos a lote, como por exemplo ter um tempo mínimo de residência fixa no DF. O que com certeza, durante muito tempo, não foi seguido.
2 - A falta de investimentos públicos na construção de mais estacionamentos. Pagamos nossos impostos que aliás, estão entre os mais caros do planeta. Em contrapartida, teriamos que receber do governo um os melhores Serviços Públicos do mundo. Nada mais justo, não? Entretanto, não é a nossa realidade. Temos uma alta carga tributária e temos do governo um Serviço Público sucateado e pelo menos na maioria das vezes de péssima qualidade. Começando pela falta de valorização da maioria dos servidores até a falta de investimentos, como por exemplo a falta de investimentos na construção de novos estacionamentos e ampliação dos atuais. Neste ponto, fica um grande desafio. Como ampliar no número de vagas públicas sem diminuir as áreas verdes de nossa cidade? Brasília sempre se notabilizou, entre outras coisas, pelas imensas e numerosas áreas verdes. É a cidade que tem mais árvores por habitante do mundo. E foi idealizada assim por seus construtores, como se fosse uma cidade emergindo de uma floresta. Tudo isso, para dar maior qualidade de vida aos seus habitantes. Fica aí o desafio...
3 - A facilidade em se comprar carro zero e usado. De alguns anos para cá, se tornou muito mais fácil a compra de carros. Com parcelas a perder de vista, podemos dizer que hoje, quase todo mundo pode ter um carro. Isto, fruto não só da necessidade das pessoas, mas também da sede insaciável dos capitalistas de plantão. Sede por lucro, lucro e mais lucro. Mas ainda assim, não podemos dizer que isso seja algo ruim. Pois é direito de cada cidadão ter o seu próprio carro, seja para trabalhar, seja para o lazer. E não podemos abrir mão de um direito nosso (como o de ter um carro) simplesmente porque o governo não faz o seu dever de casa. Mas é inquestionável que tal fato contribui para a piora do problema citado.
4 - A falta de um sistema de transporte coletivo e público de qualidade. Este é um problema antigo de nossa cidade. Se duvidarmos, já nasceu com ela. O sistema coletivo de transporte por ônibus do DF é um dos piores do país. Como se não bastasse o preço ser alto. Não cobre toda a cidade. Para diversos ponto de Brasília, temos que pegar dois e em alguns casos até três ônibus. Isto porque, nestes casos, não existe ônibus direto. Das Cidades Satélites para o Plano Piloto, os mesmos passam com uma certa frequência. Mas tenta pegar um ônibus de uma satélite para outra.... . São raríssimos e em alguns casos até não existe linha. O metrô, por sua vez, só atende o lado sul do Distrito Federal. Plano, Guará, Águas Claras, Taguatinga e Ceilândia. Só agora, o governo anunciou a extensão do metrô para a Asa Norte, como se só agora tivessem lembrado que o lado norte tambem existe. É fato também, que nos últimos tempos, aumentaram a quantidade de estações, com 40 mil usuários a mais e pegar o trem e conseguir um lugar para sentar, virou algo raro. Pergunto: Porque não anteciparam a compra de novos trens já sabendo que o número de passageiros iria aumentar. Não. Esperaram a coisa acontecer para aí providenciar a compra. Ninguém discute que aumentar as estações do metrô fazendo-o alcançar mais pessoas é algo benéfico. Mas porque não planejar mais e melhor?A melhoria do transporte coletivo, seja ela público ou privado, é condição essencial para a melhoria do trânsito e aumento de vagas nos estacionamentos aqui em Brasília e em qualquer parte do mundo.
É bem verdade, que com a vinda da Copa do Mundo para o Brasil e para Brasília (que está gerando também a compra do VLT), vai melhorar sobremaneira a questão do trânsito e quem sabe dos estacionamentos. Mas porque porque só assim conquistamos tais melhorias? E quando a copa passar? Vamos ficar outros 50 anos sem os investimentos adequados? Se assim fôr, os problemas voltarão a acontecer e de forma intensa.
Colocar estacionamentos privados como ocorreu no Setor Comercial Sul (SCS) e cobrar dos motoristas, também não é solução. É direito nosso ter a opção de estaciornarmos de graça. Isso porque no final das contas o que os trabalhadores iriam pagar de estacionamento no final do mês seria um absurdo. Muitos iriam trabalhar para pagar estacionamento. O que não é justo e nem correto.
Caro cidadão, o governo não nos faz favor. Pagamos nossos impostos. Prestar serviços de qualidade não é favor do governo. É obrigação. É como diz a personagem de um famoso programa humorítico: Tô pagando. Eu diria: Estamos pagando. Eu e mais tantos e tantos outros, estamos exigindo apenas o devido respeito por parte de nossos governantes. O respeito aos nossos direitos. E assim, exercendo a nossa cidadania.

Abraços a todos;
Carlos Henrique.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Golpe Militar em Honduras - Fora Golpistas

Conforme todos acompanharam pela mídia brasileira, em junho deste ano, o presidente hondurenho legitimamente eleito, Manuel Zelaya, foi deposto por forças militares e direitistas de Honduras.
Pois bem. Tal ato, por si só, já significa um ataque brutal contra a democracia daquele país e dos demais países da América do Sul e Central. Imaginem se a moda pega. Imaginem se a cada vez que um presidente fôr eleito pelo voto direto e contrariar determinados interesses de grupos fortes econômica e politicamente for deposto... . E observem que o nosso continente tem todo um histórico de ditaduras militares onde todas foram impulsinadas pelos EUA, com o intuito de impedir o crescimento do socialismo. As ditaduras em nosso continente, fazem parte de um passado recente, mas ainda assim passado. Fazer uso de uma para atender a determinados interesses, é retroagir no processo democrático em curso na maior parte do planeta. É perder o bonde da história.

Motivos que Levaram ao Golpe

Apesar de suas credenciais de centro-direita, Zelaya, após ser eleito se afastou de seus tradicionais aliados, entre eles os EUA. Se aproximou aos poucos de Hugo Chávez e outros países componentes da chamada 'esquerda bolivariana', como Equador, Bolívia e Nicarágua. Ao fazer isto, contrariou interesses americanos.
Neste ano, tentou organizar um referendo para aprovar a realização de um plebiscito constitucional em Honduras, que permitiria a reeleição. Mas não era candidato a mais um mandato como presidente. A medida valeria apenas para o próximo ocupante do cargo.
Um referendo, como foi proposto pelo mesmo, poderia ou não aumentar a reeleição para o próximo presidente e caso aprovasse, tal proposta ainda seria submetida à uma Assembléia Constituinte. Vale dizer, que no congresso Zelaya não tem maioria. Onde está o erro? E mesmo que Zelaya tenha cometido algum, isto justifica um Golpe de Estado e a conseqüente implantação de uma ditadura militar, ou governo militar como queiram?
E como se não bastasse tudo isso, as tropas hondurenhas no dia de hoje, ameaçam invadir a embaixada brasileira no citado país para prender Zelaya. Sendo que terreno de embaixada é terreno livre e uma possível invasão fere acordos internacionais feitos através da ONU. Na realidade, o Brasil apenas concedeu asilo político ao presidente deposto o que está em acordo com os direitos humanos mais elementares. Inclusive, durante a ditadura militar no Brasil, diversos militantes políticos que hoje são lideranças políticas no nosso país, recorreram a tal ajuda em várias embaixadas de outros países. Inclusive alguns destes hoje são parlamentares do DEM e do PSDB que hoje tanto criticam a atitude do governo brasileiro de conceder tal ajuda ao líder daquele país. Mesmo que fosse um equívoco do Brasil, como criticar se eles mesmos já se valeram disto? Quanto incoerência...
As forças militares, direitistas orquestraram o golpe. Entretanto, é possível que os Estados Unidos estejam também por detrás. É necessário e urgente, devolver o posto ao seu legitímo ocupante.
Quando pensamos que o espírito ditatorial e golpista já não se fazia mais presente na América do Sul e Central, nos deparamos com tal situação.

P.S: Estive sem postar nestas últimas semanas devido a problemas de saúde na família. Meu pai foi acometido de uma grave infecção no cérebro o que o levou à UTI. Quero agradecer ao Cristiano, ao Wellington e a Elicele pelo apoio dado a minha pessoa. É muito bom saber que se tem amigos de verdade.
Abraços a todos;
Carlos Henrique

terça-feira, 24 de março de 2009

Epidemia de Dengue: De quem é a culpa?

Camaradas;


O texto que segue foi produzido por minha pessoa a algum tempo atrás. Em conversa com o Cristiano, manifestei a ele a necessidade de o compartilharmos com outras pessoas visto que o mesmo trata de uma questão de interesse do todos. O que o referido concordou de pronto. Tal necessidade se dá inclusive pelo fato por nós verificado de que quase ninguém tem conhecimento a respeito dos reais motivos que estão nos levando às sucessivas epidemias de Dengue, Febre Amarela etc... em nosso país. Doenças das quais todos nós podemos ser vítimas. Inclusive parentes e amigos próximos.
Faço a observação de que o texto tem um conteúdo eminentemente político e não tem como não ter, pois a gerência da questão e tão somente do Estado e o Estado é uma entidade política.
Além do mais, este espaço (blog), mais do que acertadamente, tem uma abertura para a discussão de questões políticas como aliás já foi demonstrado em diversos textos políticos já escritos e debatidos por mim e demais companheiros.
Sem mais delongas, vamos ao texto.


Epidemia de Dengue: De quem é a culpa?


Nos últimos anos, temos acompanhado pelo noticiário as informações pertinentes à epidemias de dengue pelo Brasil a fora e em especial no Rio de Janeiro. Em vários estados da federação ainda não existe epidemia, no entanto, o número de registros de casos da doença aumentou consideravelmente.
Doenças como a Febre Amarela, que se encontrava praticamente extinta, existente apenas na região amazônica, voltaram com força total. Diante de tudo isso, nos perguntamos: De quem é a culpa?
Os meios de comunicação relatam o problema, mas não a causa. Em 1990, o presidente Collor sancionou a Lei 8.029, autorizando a “extinção e dissolução de entidades da administração Pública Federal”. Foi extinta a Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) e criou a FUNASA como fruto da fusão desta última com diversos outros órgãos.
Em 1999, o Governo Federal (ainda nos tempos de FHC) elaborou a Política de Descentralização dos Serviços da FUNASA. Tal política consiste em passar aos Estados e municípios o trabalho de combate às endemias (Dengue, Febre Amarela etc...) onde as secretarias estaduais e municipais de saúde, respectivamente passaram a ser as responsáveis pela tarefa. Os servidores continuaram pertencendo à FUNASA mas passaram a ser geridos pelos governadores e prefeitos. Acontece que as Secretarias Estaduais de Saúde (SES) não estavam e não estão devidamente preparadas para a demanda pelo simples fato de que foram criadas para cuidar de hospitais, que, aliás, já se encontram caóticos. Os recursos são repassados pelo Ministério da Saúde a elas. No entanto, nem sempre são usados de forma integral no combate às endemias. Prova disso, é que na maioria dos estados os servidores trabalham sem as menores condições. Falta quase tudo. De luva passando a uniforme e até carros para transporte de pessoal. Muitos trabalhadores se intoxicam pelo manuseio do veneno de combate ao mosquito. Neste caso, há o afastamento do trabalhador e como não há concurso o contingente que já é deficiente se torna ainda menor. Isso sem falar nos baixos salários, no fato dos mesmos trabalharem expostos ao sol, frio, chuva, enfrentando cachorros e risco de assaltos. No que diz respeito ao material de trabalho, esses problemas não acontecem aqui no DF devido à mobilização que os servidores através do SINDSEP fizeram.Inclusive os trabalhadores conquistaram o Protetor Solar, sendo assim, não trabalham mais sob o sol estando livres de desenvolverem câncer de pele.
No que diz respeito especificamente ao Rio de Janeiro, a situação historicamente sempre foi mais grave. Em 99, no Governo FHC, José Serra então Ministro da Saúde, demitiu, 5.792 Guardas de Endemias, os chamados Mata-Mosquitos. Tudo isso sem nenhuma justificativa minimamente plausível. Tanto que após alguns anos (2003) a justiça concedeu ganho de causa a estes trabalhadores e o seu emprego de volta. Na gestão Serra, foram gastos 81,3 milhões em propaganda e apenas três milhões em campanhas educativas de combate à dengue. Serra se foi como Ministro, mas na prefeitura do Rio, César Maia implementou a mesma política de destruição do Estado do PSDB/DEM. Hoje tal política é implementada por Eduardo Paes (PMDB).
Mas e quanto ao Governo Lula? Há muito, as entidades sindicais, entre elas SINDSEP, CONDSEF E CUT, tem alertado o mesmo quanto à necessidade de reverter a Política de Descentralização de FHC/Serra e o governo finge que não ouve e ignora. A política é mantida porque os prefeitos e governadores de olho nas verbas destinadas aos estados e municípios pressionam o Governo Federal para manter a política de descentralização. Tudo isso para pagar a terceirização e contratar seus “cabos eleitorais” para trabalharem no combate à Dengue e à Febre Amarela nas prefeituras com o argumento de que o atual contingente não é suficiente. Assim conseguem manter o voto destas pessoas. Com isso o Governo Lula agrada os governadores e prefeitos da base aliada e cala a boca dos que pertencem à oposição, ou seja, agrada a “gregos e troianos”.Realmente há déficit de contingente. Mas tal problema é resolvido com a abertura de Concurso Público e não com terceirização, onde a mão de obra é barata mas o trabalhador não possui estabilidade e garantia de emprego. E todos nós sabemos quem são os donos dessas empresas terceirizadas. Grande parte deles está no Congresso e no Senado.
Os servidores da FUNASA cedidos aos governos estaduais e municipais, se encontram sem pai e sem mãe. São verdadeiros órfãos sem ter a quem recorrer no tocante à resolução de diversos problemas administrativos.
Recentemente a governo elaborou uma Minuta de criação da GACEN – Gratificação de Combate às Endemias. No entanto tal proposta contempla apenas Agentes de Saúde e Guardas de Endemias, exclui cerca de 5.000 (cinco mil) servidores em todo o país. No caso do DF, 70% da categoria que atua no combate ao mosquito está fora da proposta apresentada pelo órgão. A justificativa apresentada para tal é de que esse enorme contingente está desviado de função. Se existe desvio é por culpa do próprio governo onde quando era interessante ao mesmo permitiu o envio destes companheiros ao trabalho. Se eles estão lá, foi com o aval do Governo Federal. E mais, foram treinados e capacitados para desenvolver suas tarefas tanto quanto os demais. Portanto, como excluí-los? O governo tem isto sim, que valorizá-los. E para terminar, ainda temos a ausência total de um Plano de Carreira.
E como se não bastasse tudo isso, agora o governo cria o PL (Projeto de Lei) 3.958 que retira atribuições da FUNASA e as repassa ao Ministério da Saúde. É a pá-de-cal no referido órgão, ou seja, a sua extinção.Justamente ela que é uma instituição com mais de 100 anos de vida (juntando o período de SUCAM). Um patrimônio do povo brasileiro.
Tudo isto de que vos falo, representa uma política de destruição e privatização dos Serviços Públicos que como são públicos são nossos. É nessecessário valorizar e dar mais condições de trabalho para o Servidor Público, pois sem isso, é impossível termos um Serviço Público de qualidade. É necessário que haja mais investimentos e concurso público para o setor. Não é justo culpar o servidor com Desvio de Função fazendo-o pagar a conta o excluindo de uma proposta de gratificação. Não é justo colocar a culpa no Servidor Público culpando-o pela má qualidade dos serviços prestados à população. Se os nossos Serviços Públicos não são de qualidade, a culpa é do governo pois ele é o gestor do sistema. Da mesma forma, não é justo colocar a culpa na população sob a desculpa de que tampas de caixa d’água não foram tampadas ou que águas não foram retiradas de pneus. É preciso ir mais além. O problema é político e é necessário que a população saiba disso. Lamentavelmente, os meios de comunicação assim não o colocam e nem era de se esperar o contrário. Porque estão a serviço dos capitalistas de plantão que pregam a destruição do que é público para fazer valer a lógica do lucro fácil através da terceirização e privatização dos Serviços Públicos.

Carlos Henrique Bessa Ferreira, é servidor da FUNASA e diretor do SINDSEP-DF – Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Até Quando Esperar?

Até quando esperar? Já dizia a nossa querida Plebe Rude nos idos dos anos 80. Pois bem. Estamos nos anos 2000 e até hoje as coisas continuam as mesmas. Estou me referindo ao atendimento dos nossos direitos como cidadãos e ao combate à corrupção no nosso país que continua devagar quase inexistente.
Temos 509 anos como nação. Quase 200 anos já se foram como país independente. E até hoje o povo brasileiro segue desrespeitado no atendimento de direitos até mesmo considerados básicos. A nossa carga tributária é a maior do planeta. É de se imaginar que tivéssemos a melhor Saúde Pública, a melhor educação, a melhor segurança do mundo, ou pelo menos uma das melhores. No entanto a realidade é bem diferente.
Nossos hospitais estão abarrotados de pessoas. A quantidade de médicos e servidores é insuficiente para atender à demanda. Faltam medicamentos e equipamentos. E quando não faltam, estão quebrados.
A nossa educação perdeu em qualidade ao longo dos anos. Hoje, até existem mais crianças na escola, mas a qualidade piorou.
Segurança? Esse talvez seja o pior de todos os itens. Isso devido ao aumento da violência e a incapacidade das autoridades diante da escala do crime. Casos de violência tomam conta todos os dias do nosso noticiário.
Alguém aí já prestou atenção em como andam nossas vias públicas? Então, pagamos nossos impostos para termos vias de qualidade e olhem o que acontece. Elas mais parecem a superfície da lua, cheias de crateras. E bom quando não empenam nossas rodas e gastamos mais dinheiro para consertá-las.
E como se não bastasse tudo isso, nós pagamos nossos impostos e acabamos por pagar mais de uma vez pelo mesmo serviço. Querem saber como? Então vejamos: Você paga seu imposto para ter saúde de qualidade, certo? Como você não tem, o que você faz? Se associa a um Plano de Saúde. Pagou duas vezes pela mesma coisa. Você paga seus impostos para ter educação de qualidade, certo? Não tem, e o que você faz? Bota seu filho em um colégio particular ou paga a sua faculdade. Pagou duas vezes pela mesma coisa. Você paga seus impostos para ter Segurança Pública de qualidade, certo? E mais uma vez, o que você faz? Paga uma seguradora para o seu carro, paga uma empresa de segurança privada para a sua rua, seu condomínio, sua casa e paga até o flanelinha para não roubarem seu carro. E se não pagá-lo, ainda corre o risco de chegar lá e ter o seu carro arranhado, seu pneu furado etc... . Isso sem falar nos equipamentos de segurança como câmeras, alarmes, travas... Vixe, dessa vez eu até perdi a conta de quantas vezes podemos pagar pelo mesmo serviço. Já parou para pensar nisso? Pois, é. Eu parei. E me assusto e revolto a cada vez que lembro disso.
E a corrupção? Doença endêmica do nosso país. Ela é a culpada por tudo que foi dito acima. Ou em grande parte pelo menos. Se somos a nação que mais paga imposto no planeta, dinheiro tem. Se sumiu, vai ter que aparecer. Por bem ou por mau. Milhões, bilhões desaparecem dos cofres públicos em inúmeros escândalos que horrorizam o país. Dinheiro, meu, seu, nosso que deveria ser destinado para a educação, saúde, combate à violência. E aí, crianças e jovens ficam se estudar e brasileiros perdem suas vidas.
Em nosso país, reina a cultura da impunidade. De que a lei tem que ser esquecida. Pelo visto nosso país é mesmo o país do futebol. Aqui se dribla dentro de campo e fora dele. Todo dia as leis são dribladas. E olhem que em driblar leis e normas, aqui temos verdadeiros especialistas. Especialistas que botam Pelé, Maradona, Romário, Zico, Rivelino no bolso...
Dizem: Ah, mais o Brasil é o país do futuro! Desde pequeno que ouço isso. E que futuro é esse que nunca chega? Respondo: Não chega e jamais chegará se não arregaçarmos a mangas e fazermos a nossa parte. O povo brasileiro tem que aprender a correr atrás dos seus direitos. Fazê-los valer. Vejo com inveja as imagens vindas de outros países da população indo às ruas para exigir dos governos, das autoridades reivindicações como estas. Mas aqui, a idéia que se vende pelos meios de comunicação que são em parte sustentados pelo estado e pelos poderosos de plantão, a quem não interessa em nada este tipo de reivindicação, se vende a idéia de que são baderneiros. Vendem a idéia, direta ou indiretamente de que temos que ser pacíficos e sermos pacíficos e ficarmos em casa, de braços cruzados, levarmos a nossa vida e não nos participarmos em tais coisas. Pergunto: Que paz é essa? Pois essa paz, fabricada pelos agentes aqui citados, essa eu não quero para mim. Eu não quero para o meu país. Essa paz tem como sinônimo, alienação.
É preciso que façamos uma verdadeira revolução cultural no nosso país. E nesse processo os sindicatos e os Movimentos Sociais são imprescindíveis. Revolução esta que comece pela mudança de costumes e conceitos equivocados. Pois estes mesmos costumes e conceitos equivocados é que estão levando nosso país nestes mais de 500 anos ao buraco. Para não dizer para outro lugar#*+*#+# (se é que você me entende).
Somos o país do futuro? Sim, somos. Mas vamos nos apegando a essa expressão de deixando para amanhã ou depois para fazermos algo. Para fazermos essa revolução.. Vamos deixando para depois o que podemos fazer hoje e acabamos por nunca fazer. Se somos o país do futuro, esse futuro tem que começar hoje, agora. Logo depois de terminarmos de ler este texto. Vamos começar dando exemplo. Desde na moedinha lá do troco da padaria, que muitas vezes não volta com a desculpa de não termos troco (e temos muitas vezes) até a grandes movimentações envolvendo volumosas quantias em dinheiro. Vamos começar a dar exemplo devolvendo aquilo que não é nosso, mesmo que seja de valor financeiro pequeno. Tudo isso para exigirmos de nossos representantes um pouco mais de seriedade. Não é que não tenhamos moral para tal. Se pagamos impostos, já temos. Mas para termos mais moral ainda. Aqui existe a cultura de que ser desonesto é que é bom. Então precisamos mudar isso, para que novos corruptos não sejam fabricados.
Transcrevo abaixo um texto de autoria de Lucinda Lopes que foi narrado por Ana Carolina no seu DVD com Seu Jorge, intitulado Só de Sacanagem. O texto é uma convocação a esta revolução de que vos falo. Afinal de contas, até quando esperar?

Só de Sacanagem


Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.' Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal. Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal! E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Um novo Messias?

Na última terça-feira (04/11) fez-se história. Barack Hussein Obama foi eleito o primeiro presidente negro da história estadunidense. A cobertura da imprensa mundial foi maciça, tanto que as principas emissoras de rádio e tv mandaram seus "melhores" jornalistas. Foi evidente o entusiasmo da imprensa brasileira com a vitória de Obama, fato só não observado em países com proximidade maior pelo lado republicano, como Japão e Israel. Esta eleição foi marcante pricipalmente por envolver um candidato negro que tinha chances reais de chegar a Casa Branca.

Os principais analistas e especialistas dizem que o mundo está e será melhor com Obama. Eu acho que o mundo será melhor porque estaremos também sem o Bushinho. Para os brasileiros não haverá grandes diferenças. Talvez até piore as relações comerciais envolvendo, por exemplo , o etanol brasileiro.

Historicamente os democratas são mais protecionistas com seus agricultores do que os republicanos. Estes sim adoram e entendem é de petróleo. Já que não exportaremos etanol pro EUA, podemos diversificar nossa carteira de produtos. Talvez mangas, porque de mangas eu entendo e estamos na época. Quem não acreditar pergunte ao Daniel Farinha.

Falemos sério. Voltando a eleição americana, a importância foi dada pricipalmente porque Obama é negro. Acredito que isto não deveria ser levado como relevância. Deveria ser observada a conduta ética durante a campanha, seu caráter, carisma e índole, e não seu tom de pele. E ele demonstra que têm todas elas. Mas vivemos no Brasil, onde foi eleito um presidente da República apenas com o nível primário de escolaridade.

Obama é formado em direito por Havard. Será que um diploma garante se um político será melhor que o outro que não o possua ? Não, mas ajuda. Mas além do grau de escolaridade que influencia uma candidatura como a de Obama, o fator principal para os americanos votarem nele era também a cor da pele. Diferentemente de nós braileiros, mixigenados e com uma população negra maior que a americana, somente eles sabem o que é a segregação na sociedade americana.

Como brasileiro e distante da disputa, tenho uma visão talvez equivocada da situação, mas é bastante provável que muitos eleitores votaram no democrata para "redimir" os erros do passado em relação a população negra (13% da população). Os eleitores do canditado derrotado John McCain, majoritariamente são brancos, dos estados mais ruralistas, conservadores e protestantes. Obama, além de ser negro, vêm com idéias que contradizem o "american way of life", é a favor do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e provavelmente, relacionará melhor com o "eixo do mal" (Irã, Coréira do Norte e mais alguém que não lembro, mas que fabrica bomba atômica).

Como disse nas primeiras linhas fico feliz pelo mundo em se livrar de Bush. E eleger Obama, ainda que indiretamente (não falei do processo eleitoral americano, confuso e atrasado, fica pra próxima). Cito alguns filmaços que não tiveram tanta repercussão na mídia e bilheteria, mas sintetizam toda essa história.

O primeiro é Farenheit 9/11, de Michel Moore, filme documentário no qual é explicitado os motivos pelo qual o governo dos EUA (vide George W. Bush) tiveram todos os recursos para impedir os ataques de 11 de Setembro de 2001, mas não fizeram. Umas das cenas mais hilariantes e quando Moore mostra através de um close de câmera uma pasta com informações da CIA que uma organização terrorista preparava um ataque aos EUA. Quando um de seus assessores entregam a pasta p/ Bush, e ele simplesmente a coloca embaixo do braço e continua seu joguinho de golf durante suas férias em seu rancho no Texas. Esta cena demostra o quanto despreparado era para dirigir o país mais importante do mundo.



O segundo filme é Mississipi em chamas, com Gene Hackman e Willem Dafoe, que conta a estória de dois agentes do FBI que investigam a morte de alguns jovens negros na racista Mississipi dos anos 60. O filme retrata também que as famílias negras não podiam sequer frequentar a igreja e em bares deveriam ficar no fundo do estabelecimento e separados dos brancos. Sem contar a Ku Klux Kan (KKK), seita racista homofóbica e xenófoba retratada no filme. Dois excelentes filmes que demostram o que é viver nos EUA.

Por isso que a eleição de Barack Obama traz tanta esperança para o mundo. Que ele consigua mudar esta relação entre os próprios americanas e que nas próximas eleições não seja lembrado apenas como "o primeiro presidente negro dos EUA" e sim como alguém com mais competência p/ gerir uma nação.

Aguardemos e torcemos por ele.

Abraços Danilo Duff.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A um passo da eternidade


Este título serviria para várias pessoas. Entre estas o nosso carismático (?) octagenário Fidel Castro. Ele não morre nunca, mas pelo menos não é mais presidente (oficialmente) de Cuba. É estranho para nós que vivemos em um país com regime democrático, no qual escolhemos nossos representantes (mesmo que escolhas erradas) ver algo assim, em que alguém se perpetua no poder por cinco décadas e sempre é reeleito por ser candidato único. Também têm um partido único em que os representantes nunca discordam de Fidelito senão são mandados direto para o fuzilamento dançar mango.

Acumula-se notícias de cubanos pelo mundo, principalmente EUA, que "sonhavam com este dia", que "finalmente poderei ver minha família". Mas como a única liberdade de imprensa aceita na ilha é a propaganda oficial, é noticiado que o irmão de Fidel, Raul Castro, assumirá seu lugar, com nenhuma mudança aparente.

Como não vivemos na ilha e temos apenas opiniões formadas por matérias publicadas na imprensa brasileira, tendenciosamente contrária as idéias do regime cubano, acreditamos que a vida lá seja uma porcaria. Realmente é uma vida miserável, geladeiras apenas com garrafas d'agua, carros do tempo da Guerra Fria, casas com pinturas desgastadas. Mas como saberemos se realmente a vida deles é ruim se eles não podem falar?

Hoje vivemos em uma sociedade consumista, sedentos por produtos e serviços o tempo todo. Isso gera uma instabilidade ou talvez a principal tese para a violência crescente, além do fator cultural. Por isso que em uma sociedade como a cubana a violência não seja tão banal, pelo simples fato de não haver desigualdade social e econômica. Realmente não há desigualdade social.Lá todo mundo é miserável.

Mas o fato principal da conversa é a queda(!) do nosso querido comuna Fidel, com seus discursos longevos (já imaginou Sílvio Santos presidente vendendo carnês do baú p/ Fidel) e que já fizeram escola (vide Hugo Chaves).Mas será que seu regime é tão ruim? Alguns exemplos: a saúde em Cuba é uma das melhores do mundo, com acesso universalizado e gratuito. O esporte é outro bom exemplo, com as práticas esportivas inseridas no currículo escolar já no primário. O resultado é Cuba como a segunda potência olímpica das Américas e dentre as 10 do mundo.

Os problemas são provavelmente maiores. Médicos (30 a 60 dólares por mês) e outras profissões que seriam hipervalorizadas em outros lugares são desmerecidas financeiramente pelo governo de Fidel. Para reformar sua casa é preciso a autorização do Ministério do Interior cubano. Todos os regimes têm defeitos,
talvez acostumados com a democracia acreditamos que seja o menos injusto.

Vejamos outra hipótese. A família Castro realmente acabe e é convocada eleições gerais p/ Presidente e representantes da população (igual ao regime presidencialista brasileiro). Os EUA comandem esta transição. O interesse americano é puramente democrático, com suas empresas de plano de saúde invadindo o país. Acabam-se a universalização à saúde e somente existirá hospitais particulares. Na pior das hipóteses o atendimento público fique igual ao Brasil. Pode acontecer assim? Acho que sim e não só nesta aréa.

Não que eu defenda o regime de Cuba, até porque por mais batido que esteja este discurso, a democracia é menos indolor.Mas Cuba é um país soberano, não têm petróleo p/ os ianques se interessarem por algo na ilha, então deixemos que eles se virem sem nenhuma interferência externa. Há pessoas que dirão que Fidel fará falta. Outros falarão que foi tarde. A verdade é que igual a ele nunca mais veremos. Rejeitar ajuda e aguentar embargo americano por todos estes anos não é para qualquer um. Também que falta faz um MC Donald's. Qualquer um vive sem.

Agora pergunta pro Fidel se ele vive sem sua riqueza avaliada em aproximadamente 1 bilhão de dólares.E quando perguntaram pra ele por que a população passava fome e ele tão rico a resposta foi:
" Estou guardando p/ uma nova revolução e quem sabe p/ minha aposentaria..."

Até breve. Viva la revolucion, Zapata vive!!!!!!

Danilo Duff

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