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domingo, 23 de agosto de 2009

20 ANOS SEM RAULZITO !

A história nos mostra que quanto mais o tempo passa, nos brasileiros, nos esquecemos de nossos personagens históricos. Em todos os segmentos, seja na política e nos esportes, passando pela literatura, teatro, e principalmente a música, tema central deste espaço.
Há exatamente 20 anos, nos deixou umas das mentes mais controversas, brilhantes, irreverentes e polêmicas deste país. O que não falta são predicados para Raul Seixas. Cursou direito, engenharia, filosofia, seitas religiosas e esotéricas. Foi intenso como músico e mais ainda como ser humano. Suas letras e canções nada mais eram do que retratos fiéis de sua ideologia sobre seu tempo presente e futuro.
Quem não o conhece, pensa que era apenas um músico drogado ou um porra louca que só falava palavras sem nexo, porém esta é a imagem que nos foi passada dele. No início do texto citei que esquecemos a importância de determinadas pessoas na vida pública brasileira.
No último dia 21/08 (sexta-feira), “aniversário” de morte de Raul, pouquíssimo foi o espaço cedido e utilizado na mídia para lembrar a falta que Raulzito nos faz (peço desculpas pelo atraso na publicação do post). Inclusive em sites/blogs especializados em música, e até voltado para o rock não se falou nele. Seria por que Raul extrapolou as barreiras do rock e se transformou em um musico tão versátil, do baião a música brega de bordel, que as pessoas se esqueceram dele? Seria talvez porque a mensagem que ele queria nos transmitir não é tão acessível aos nossos padrões de “jovens alienados” atuais? Lembramos que sua carreira foi construída praticamente durante o regime militar, onde uma palavra mal interpretada colocava em risco toda uma canção.
Como fã incondicional de Raul e como forma de homenagear este gênio brasileiro, irei listar um top 10 de suas músicas que mais admiro, porque pensei, pensei e pensei e cheguei a uma conclusão: é impossível citar apenas um álbum como o principal. Como tenho 13 cd’s de estúdio e conheço grande parte da sua obra sempre prezei por ter os discos fisicamente e não apenas baixar as músicas ou adquirir aquelas coletâneas batidas. Tentei compilar uma canção de cada um dos principais álbuns.
Para conhecer e sentir suas músicas, é necessário escutá-las várias vezes para captar as mensagens, que são atemporais. Separe um tempinho do seu dia e escute estas canções, e se de algum modo elas te levarem a uma reflexão, é sinal de que o mestre Raul Seixas ainda está vivo dentro de nós.

Obs:
- A ordem das musicas é aleatória, sua publicação não reflete a posição de relevância de cada uma;
- Ao final do texto clique na lista das músicas e veja a letra completa ;


1.Novo Aeon (álbum: Novo Aeon - 1975): Talvez a letra mais linda de sua carreira. A música reflete com exatidão o pensamento, a ideologia de Raul frente a sua sociedade alternativa. Quem não conhece Raul imagina que a música sociedade alternativa é apenas uma canção de protesto, mas ela é muito mais do que isso. Ela é extrapolação do imaginário de como uma sociedade deveria ser para Raul. E nesta música (Novo Aeon) é passado um conceito mais abrangente da música sociedade alternativa lançada anteriormente. Para Raul o ser humano deveria continuar sendo um advogado, médico, bêbado ou mendigo, mas todos tratados de forma igual, sem pré-julgamentos. Destaque para o verso: “... querer o meu não é roubar o seu...”.

2.Sapato 36 (álbum: O dia em que a Terra parou - 1977): O instrumental das músicas de Raul não era nada de excepcional, mas era coerente com sua proposta. Nesta música a guitarra e o baixo sincronizam perfeitamente com uma espécie de sintetizador, com melodia bem arrastada, melancólica. A letra pode ser interpretada como uma libertação de toda forma de repressão (“...eu calco é 37, meu pai me da 36 .... vou escolher meu sapato e andar do jeito que eu gosto.... já escolhi meu sapato ... que não vai mais me apertar..”), desde a educação rígida dada pelos pais da geração passada e até uma metáfora disfarçada, criticando o regime ditatorial, no sentido do regime ditar todas as regras cíveis da época .

3. Rock n’roll (álbum: A panela do diabo - 1989): A música conta com a parceria de Marcelo Nova (Camisa de Vênus), amigo ate os últimos momentos de vida de Raul. A letra retrata exatamente o que é o rock n’ roll em nossas vidas: diversão. Desde os primórdios (“... há muito tempo atrás na velha Bahia eu imitava litlle Richard e me contorcia... as pessoas se afastavam pensando que eu tava tendo ataque de epilepsia....”) e até os dias atuais (“... alguns dizem que ele é chato, outros dizem que é banal ... já o colocam em propaganda e fundo de comercial ... mais o bicho ainda entorta minha coluna cervical...”) e nos momentos João Gordo: (“... lá dentro do camarim... no maior abafamento ... a mulherada se chegando... autos pratos suculentos... e do meu lado hippie punk me chamando de traidor do movimento – vê seu agüento!”). Perfeita diversão.

4.Judas (álbum: Mata Virgem - 1978): Mais uma das músicas que posso interpretar de várias maneiras. Com grande talento para mesclar o sacro com o profano, o divino com o terreno, Raul destila uma letra ácida sobre a traição de Judas contra Jesus, mas também pode ser sobre qualquer forma de traição. O clipe desta música (como todos da época) é bem tosco, com Raul interpretando um Judas no meio de um monte de areia, passando tranquilamente a idéia de que estaria no solo árida da antiga Galiléia.

5. Só pra variar (álbum: Abre-té-sésamo - 1980): O baixo dita o ritmo da música. Tem um coral acompanhando o refrão, bem característico das suas músicas. A letra é uma demonstração do que o ócio faz na vida de um homem. Raul canta com certo desdenho e deboche (“... é pena eu não ser burro.... não sofria tanto ...”). Outro verso (“...vou rasgar dinheiro , tocar fogo nele... só pra variar”). Outra característica de Raul era contemplar os contrários, o bem e o mal, deus e o diabo, não com uma visão simplista, mas sim sabendo que um necessita do outro para ser completo, como no verso (“... dizem que o paraíso já ta cheio meu bem... então vou levar um lero com o diabo ... antes que o inferno fique cheio também....”).

6. Eu também vou reclamar (álbum: Há 10 mil anos atrás - 1976): fico embasbacado quando escuto esta música. Letra inteligentíssima. Quem a escutar e entender o sarcasmo e a ironia de Raul na letra entendera o motivo dele ser tão respeitado. Observando-a percebe-se sua mensagem sobre o que realmente é relevante em nossas vidas. No verso a seguir está claro: (“... um piloto rouba um mig (avião)... gelo em Marte diz a viking (sonda espacial) ... mas no entanto não há galinha em meu quintal.”). Outra faceta de Raul é derrubar conceitos pré-estabelecidos: (“ ...olhos os livros na minha estante... que nada dizem de importante.... servem só pra quem não sabe ler...”) e (“ .... ao meu lado um dicionário cheio de palavras que eu sei que nunca vou usar....”) .

7. Meu amigo Pedro (álbum: Há 10 mil anos atrás - 1976): música empolgante e letra que fala sobre os caminhos de como se trilhar uma amizade. A letra serve de referência para aquele amigo que te aconselha, você acredita que ele esta errado, toma um outro rumo, mas no fim das contas tudo acaba onde começou, com os amigos se reencontrando.

8. Loteria da Babilônia (álbum: Gita - 1974): Só tem em versão ao vivo. Tem uma orquestra de metais muito legal. Era na Babilônia que tínhamos a torre de Babel, onde vivia toda aquela miscelânea de raças e credos. Acho que Raul considerava sua vida, idéias e credos uma verdadeira babilônia, a cada momento suas idéias se adaptavam ao tempo presente. A letra da música dizia que o que passou na vida é apenas passado e devemos nos atentar ao futuro. E o que eu acho que diz a letra. Se não for também vale pela diversão da música.

9.Por quem os sinos dobram: (álbum: Por quem os sinos dobram - 1979): A letra parte de conceitos ideológicos carregados por Raul durante toda sua vida. Percebe-se no verso (“... é sempre mais fácil achar que a culpa é do outroEvita o aperto de mão de um possível aliado, é...). Continuando(“...convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilosabendo no fundo do peito que não era nada daquilo...”). Resumindo toda uma vida em um simples verso: “Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e fazCoragem, coragem, eu sei que você pode mais”. Simples. Simplesmente espetacular.

10.Ouro de tolo (álbum: Krig-há, Bandolo - 1973): Outra letra de gênio. Ao pensar que ele a escreveu aos 28 anos. Eu tenho a mesma idade, e o máximo que sai da minha cabeça é acompanhar os jogos de futebol transmitidos pela Jovem Pan Am. Voltemos ao principal. Com um tom de melancolia , a letra é perfeita para refletirmos sobre o nosso passado, presente e futuro, uma visão aquém de nosso tempo.

Finalizando espero que todos que leram este longo texto , compreendam que mesmo não aprovando seu modo extravagante de vida, Raul Seixas foi alguém que veio ao mundo para somar e transmitir algo fundamental aos dias de hoje. Sem demagogias, mas com idéias reais e respeito ao próximo, podemos avancar mais rápido com a missão nossa aqui na Terra.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Na Rota do Mal: parte 666!!

Sem sono e rodando por alguns sites/blogs encontrei esta "manchete" hilária no blog dos nossos amigos do Cult 22. Marcos Pinheiro conta a estória ouvida do Lelo Nirvana (ex-Rarabichuebas). Não me aguentei ao termo utilizado pelo "veículo de comunicação" de "grande credibilidade" referindo-se ao filho de Lúcifer como O tinhoso. Acho que é uma montagem, mas ainda assim vale pela diversão. Veja e confira:




fonte: cult22.com/blog
imagem cedida por: Laura Benevides.

Abraços
Danilo Duff.

segunda-feira, 23 de março de 2009

20/03/2009 - O Dia em que Brasília Parou!!

Histórico! Inesquecível! Inacreditável! Só quem foi ao show do Iron Maiden na última sexta (20/03) no estádio Mané Garrincha sabe que eu não estou exagerando.
Para quem foi pela primeira vez é um evento único. Este é meu terceiro show, mas a sensação é como se eu estivesse debutando somente agora, tamanha a emoção e o sentimento que causou.
Temos vários exemplos de shows bem produzidos, com excelência na parte técnica (iluminação e som) e sincronia entre artista e público. Mas os shows do Iron são exemplos únicos de extrapolação destes conceitos. Em todos os lugares do mundo, onde a donzela se apresenta a ligação com seus admiradores é única. E com certeza, no Brasil, a relação é ainda mais próxima. É uma legião de fãs muito carismática e apaixonada por tudo o que envolve a banda. Começando pela devoção dos fãs seguindo o grupo desde a sua chegada ao aeroporto, na quinta, continuando pela persistência em frente ao hotel em que estavam hospedados.
Finalizando, dessa forma, com a presença de aproximadamente 25.000 pessoas no mega evento. Um público excelente para nossos padrões brasilienses, e considerando o preço salgado dos ingressos, esta foi a melhor resposta para aqueles que não acreditam que possamos comportar shows desse porte.

Voltemos aos eventos decorridos. Tinha uma grande expectativa em relação ao show, que realmente foi correspondida. Como o maior espetáculo já visto aqui em Brasília, havia ressalvas no quesito organização. Para minha grata surpresa a organização do evento foi um dos fatores mais surpreendentes. Não tivemos problemas com a entrada (estavam muito bem sinalizadas).
Em relação à segurança, foi tudo perfeito, mesmo com a aglomeração de 25.000 pessoas. Se fosse um show de Axé teríamos, com certeza, muitas ocorrências policiais, fato que praticamente não houve. Mais o que me chamou mais atenção foi o horário do início do show. O Maiden entrou no palco às 21h10min, com apenas 10 minutos de atraso em relação ao horário oficial presente no ingresso. Para os britânicos é um atraso, para nós brasileiros, uma honestidade poucas vezes utilizada em outros eventos musicais.
Em suma, fomos realmente tratados como todo cliente e consumidor devem ser tratados, com respeito e seriedade. Só os preços dentro do estádio estavam abusivos, como uma cerveja Sol (Arghh!) custando quatro reais. É o preço que se paga para prestigiarmos o Maiden.

Antes de o Iron entrar no certame, tivemos a ingrata presença da Hanna Montana inglesa: Lauren Harris. Com uma arrogância sem tamanho e músicas que dariam azia até em um copo de Sonrisal, seu show foi totalmente descartável. Duraram eternos 30 minutos. Esperamos mais 30 minutos para o início do grande espetáculo que todos esperavam.
A expectativa era enorme. Quando o relógio marcou 21h10min, as luzes se apagaram e iniciou o clipe nos dois telões ao lado do palco. Ao som de Transylvania eram mostradas imagens da turnê, fãs insandecidos e o Ed Force One nos ares. Welcome to the show!

1.Aces high: até quem não conhece a música (o que é bastante improvável) canta o refrão junto. É hora dos headbengers baterem cabeça. Com o cenário do álbum Powerslave, o público cantando e o céu sem nuvens, eu imaginava os aviões Spitifire sobrevoando o palco. Seriam duas horas inesquecíveis de nossas vidas.

2.Wratchild: Adoro a introdução de baixo do Steve Harris. Foi a única a entrar do álbum Killers no set list do show. Hora de alguém me beliscar para ver se eu não estava sonhando. Olhando no telão percebe-se a capacidade do baterista Nicko Mc Brain de fazer as viradas após o refrão e ao mesmo tempo sorrir para a câmera. Por isso que é considerado o mais divertido da banda.

3.Two minutes to midnight: O primeiro clássico da noite. Esta é cantada desde a arquibancada até a área premium. Só não entendi a roupa utilizada pelo Bruce, que é o figurino utilizado na turnê do Brave New world, já que a temática é do Somewhere in time. Deve estar faltando dinheiro para trocar de roupa.

4. Children of Damned: Esta é pouco conhecida. Bela canção, com o peso certo nas melodias e letra. Boa transição entre um hit e uma balada.

5.Phanton of the opera: Outra que gosto bastante, presente no primeiro álbum. Uma música longa, com uma melodia que quase me fez chorar. Durante os solos, no meio da música, eu observei que Bruce já não demonstrava o desempenho de outrora. Logicamente pela idade e tempo de estrada isto é aceitável, até porque são aproximadamente 100 shows por turnê. Mais ainda é o Mestre Bruce.

6.The tropper: “Scream for me Brasília! Scream for me Brasilia! The troppperrrrrrrr!”.
É assim que Bruce inicia este clássico”. Arrepia ao ouvir TODOS cantando desde o primeiro até o último verso. O cenário de fundo é trocado através de uma espécie de cortina, trocada de acordo com o tema da música. Aqui entra em cena o Eddie, presente na capa do single, empunhando a bandeira da Grã-bretanha. Era a estampa de camisa mais vista em toda a cena. Em um dos momentos mais esperados do show, Bruce Dickinson sobe na parte mais alta do palco, em um nível acima da bateria e balança uma bandeira da Grã-bretanha. Inclusive o Cristiano comentou comigo que algum desinformado falou que não gostou desta atitude do Bruce, que ele deveria pegar a bandeira do Brasil jogada no palco. Se esta pessoa não sabe, a música é justamente sobre a resistência dos ingleses contra os russos. Nada mais coerente que erguer a bandeira inglesa. Fora estes comentários desnecessários, é uma música que levanta até defunto da cova.

7.Wasted years: A baladinha da noite. Dá até para aprender a cantar o refrão na hora. Já que a turnê chama-se Somewhere back in time poderiam colocar outras músicas além desta. Como o set list é seguido rigorosamente, não é possível introduzir outras. Mas esta é muito boa e compensa esta falta das outras canções do álbum.

8.Rime of ancieNegritont mariner: Quem não conheceu a perfeição é só escutar está música. Já havia citado os motivos desta afirmação no post sobre o álbum Powerslave. O impressionante é a capacidade da banda de realizar o mesmo som em estúdio e ao vivo. Com mais de 13 minutos é o momento ideal do show para descansar e apenas admirar o trabalho da banda. Bruce Dickinson demonstra sua capacidade vocal entoando seus agudos durante toda a música. Utiliza também um figurino com um sobretudo que lembra a saga do marujo ancião citado na letra. Uma obra-prima eterna.

9.Powerslave: Voltamos ao ritmo inicial do show. Uma das preferidas do público. Cantada em uníssono na parte “Slave to the power of death...”. A virada da bateria na introdução é o meu destaque da música. No fim viramos escravos do poder que powerslave nos remete.

10.Run to the hills: Os riffs de guitarras iniciais me arrepiam toda vez que eu a escuto. Já passávamos do meio do show e isto me preocupava. Mas não era hora de preocupação e sim de descontração. Passava pela minha cabeça o que ainda estaria por vir.

11.Fear of the dark: Sempre começa com Bruce recitando o nome da música de uma forma sombria. É a única música anos 90 presente na turnê. Talvez o maior hit da banda. É o “Pais e filhos”, e o “Até quando esperar”, e o “Satisfaction” do Maiden. Até a tia do cachorro-quente conhece. Não é por isso que a música perde sua magia, pelo contrário. Se tivesse sido lançada nos anos oitenta veríamos os nostálgicos isqueiros pairando no ar, com labaredas de fogo contrastando com o ambiente sombrio que o instrumental transmite.

12.Hallowed by the name: Sagrado seja o Iron Maiden!! Uma das minhas preferidas por conter uma variação melódica incrível. A introdução, que lembra o badalar de sinos, nos prepara para uma das mais belas composições da banda. Emocionante.

13.Iron Maiden: O ápice do show. Primeiro porque reúne tudo o que o Maiden representa: letra forte, vocal firme e instrumental rápido é reconhecida a quilômetros de distância. Segundo porque esta é a minha preferida neste show. Percebemos que uma música é importante quando ela mexe com a gente. É incrível escutar essa música e lembrar do passado, quando ser headbenger era bater cabeça e cantar do início ao fim toda a letra. Sensacional. Estava me esquecendo. Temos o Eddie também. O querido mascote sempre entra em ação na música que dá nome à banda. O Eddie dessa turnê é aquele com temática futurista-robótica. Com mais de 3 metros de altura ele aponta sua arma para o público e destila rajadas de versos como este: “ Iron Maiden... wants you for dead...” Fantástico!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

14.The number of the beast: A banda sai após tocar Iron Maiden. O público começa a gritar “Maiden, Maiden”. Eles voltam para o bis. E logo invocam o demo com esta música que até os sertanejos de Brasília conhecem como Six, Six, Six. O cenário é um Eddie gigantesco manipulando o diabo. É outra que adoro. Tem algo de mágico, de místico nela. É como se todos tivessem possuídos. Tenebrosooo! Do cenário saem chamas que nos lembram o inferno. Uma música que trouxe toda a fama de satanista ao Maiden. Contudo, é justamente isso que faz deles uma banda única.

15.The evil that men do: A preferida de Bruce. Gosto muito também. O vocal é bem diferente do usual nas outras músicas da turnê. No cenário aparece um Eddie lobotomizado destruindo a Terra para encontrar no centro do planeta seu cérebro que foi retirado no álbum Piece of mind. Uma música especial para o grupo. E para os fãs também.

16.Sanctuary: O fim chegou. É uma canção boa, mas acredito que teriam outras melhores para fechar. Bruce apresenta sir Nicko McBrain na batera, the big boss Steve Harris no baixo, o divertidíssimo Janick Gers, o sério Adam Smith e o carismático Dave Murray nas guitarras. O pessoal pede: “One more song! One more song!”. Infelizmente acabou mesmo.

É hora de fazer um balanço deste que foi, com toda certeza, um dos maiores eventos que Brasília já viu. Com todos os presentes (vinte e cinco mil), servirá de argumento para transformar Brasília na rota dos grandes eventos. E ressaltando: com o show começando no horário, mesmo com o público ainda entrando, serviu de exemplo para mostrar a quem não acreditava que é possível um show iniciar na hora marcada impressa no ingresso. Algo assim apenas se repetirá se incorporarmos em nossa cultura a educação de exigir nossos direitos como cidadãos e consumidores. Espero que venham outras oportunidades como a descrita. A oportunidade de sonhar acordado.
Abraços.
Danilo Duff e Daiane Ramone

terça-feira, 17 de março de 2009

Iron Maiden: Seventh son of a seventh son

O último capítulo da série sobre os grandes álbuns do Iron Maiden lançados durante a década de 80 e base da turnê Somewhere Back in Time Tour fala do belíssimo álbum Seventh son of a seventh son.
Depois de escutá-lo algumas vezes, mudei meu conceito sobre este disco. Muito bem trabalhado, uma história interessante e um fato desagradável marcaram a gravação deste álbum. Ao começar pela saída do espetacular guitarrista Adrian Smith após a turnê de lancamento do álbum.
Smith já vinha com a ideia de seguir carreira solo e com a decisão tomada o Iron necessitaria de outro guitarrista. Contrataram o ótimo guitarrista e dublê de acrobata Janick Gers como substituto para o próximo álbum – No prayer for the dying.
Voltando ao álbum, conta a história do nascimento do sétimo filho de um sétimo filho. Foi baseada no conto do inglês Orson Scott Card que, segundo a lenda, o novo messias viria sob a forma deste sétimo filho de um sétimo filho, com poderes inimagináveis, mas com duplicidade de caráter, ora para o bem como para o mal.
A diferença seria quem conseguiria manipulá-lo primeiro. Uma bela metáfora para o que chamamos de índole. Se este filho optar por fazer alianças com o cramunhão o mundo acabará nas trevas. Optando pelo lado bonzinho o mundo viverá seu lado tranqüilo e calmo. A capa tem um Eddie saindo de um lago em que segura em uma das mãos o sétimo filho envolto numa espécie de placenta.
Com revés conceitual, mais próximo do rock progressivo dos anos 70 do que o mal falado rock do final dos 80, este disco inseriu conceitos espirituais aos temas abordados pela banda. No campo instrumental foi acrescentado teclados em algumas músicas, com bons resultados. Vejamos o resumo das músicas presentes neste álbum:

Título: Seventh son of a seventh son
Ano: 1988
Duração: 44’08’’

Integrantes:
- Bruce Dickinson: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Nicko McBrain: bateria;

Faixas:

1. Moonchild: Tem uma introdução no violão e Bruce Dickinson recita a estrofe inicial. As guitarras são rápidas e bateria entra em um ritmo alucinante. O baixo de Steve Harris segue a linha de sempre. A letra conta a lenda do nascimento do sétimo filho e a presença de um anjo das trevas aconselhando-o a seguir o caminho das trevas. Tenebrosoooo!!

2. Infinite dreams: A abertura tem um riff bem legal de guitarra e um baixo como base de fundo. A bateria é cadenciada, em um ritmo bem mais lento que na música anterior. A terceira parte da música é mais acelerada, com destaque para um belíssimo solo de guitarra no final. A letra fala basicamente de uma pessoa que tem pesadelos constantes, contrariando o título da música. Até que a faixa agrada, mas perde-se no conceito proposto no disco.

3. Can I paly with madness: Essa é para empolgar qualquer filho de quem quer que seja. Com um refrão que chega a arrepiar, é uma das minhas preferidas do disco. Não tem muita variação harmônica, começando com um riff legal das guitarras que será repetido no final da faixa. Só no meio da música, antes da repetição do refrão que entra um solo de guitarra. A bateria é de uma energia contagiante. O vocal de Bruce Dinckinson é sensacional, com uma letra falando do questionamento do sétimo filho sobre que caminho seguir. Um clássico!

4. The evil that men do: Esta tb é um classico. É a preferida de toda a carreira do Bruce Dickinson no Maiden. Eu gosto bastante do vocal, com uns agudos impressionantes. A introdução é um acorde de guitarra magnífico, em seguida entrando um numa melodia diferente. Além de um refrão forte, um verso interessante é o que precede o refrão – “ Don’t to cry for me” . A frase faz sentido na letra que é baseada em um texto de Shakespeare que diz:
"O mal que os homens fazem vive após os homens morrerem, mas a bondade é enterrada juntamente com seus ossos".
Supostamente, o sétimo filho teria tido uma paixão ao modo shakesperiano de relatar tragédias amorosas (vide Romeu e Julieta). Se bem que prefiro o Romeo and Juliet do Dire Straits.

5. Seventh son of a seventh son: Esta faixa - título conta toda a história sobre a lenda do sétimo filho do sétimo filho. Na letra é bem conceitual. Na melodia é estupenda. Com quase 10 minutos tem tempo de sobra para se fazer experimentalismos, inclusive com um coral parecido com aqueles cantos gregorianos ao fundo, passando uma sensação de sofrimento no nascimento deste filho. A música confunde qual a origem desta “criança”, se nesta faixa ou na primeira. Não importa porque esta faixa é bem orquestrada, fugindo do esteriótipo de que músicas grandes são apenas para os músicos mostrarem sua técnica e para dar sono na platéia.

6. The profecy: É sobre a profecia proferida pelo sétimo filho. Como ninguém acreditou a Terra desandou e tudo terminou em trevas e no fogo ardente do inferno. Uma música bem feita, mas que não me chama muita atenção.

7. The clairvoyant: Outro clssico. Tem uma das mais belas introduções de baixo da banda de Steve Harris. Tem um teclado que não fica em evidência, entretanto cadencia bastante os riffs de guitarras entre uma estrofe cantada e outra. A bateria tem uma virada muito boa, sem sair do ritmo que a música necessita. A letra fala do poder de clarividência que o sétimo filho tem ao nascer. E como um observador externo pergunta-se: ´
“But for all his powercouldn't foresee his own demise... and reborn again?”
"Mas por todo o seu poder não poderia prever sua própria morte... E nascer novamente?"
Uma canção sensacional!

8. Only the good die young: Fechando este excelente álbum, uma música pouco conhecida dos fãs do Iron. Belos solos de guitarras narrando o desfecho trágico do mal vencendo o bem. Relamente finaliza bem o álbum.

Estes sete álbuns que comentamos formam, basicamente, a melhor fase do Iron Maiden. Não falarei do álbum Fear of the dark porque este não foi produzido na década de 80, mesmo a faixa titulo sempre presente nos shows da turnê.
Esta série visava mostrar uma banda com grandes variações musicais e temáticas, fugindo da ideia que banda de heavy metal são apenas guitarristas virtuosos e letras sem nexo. Gostemos ou não de determinadas bandas, temos que respeitá-las por vários motivos, entre eles a sua historia. O Iron Maiden é uma delas.

Conto os minutos para o show histórico desta sexta feira (20/03) aqui em Brasília. Estaremos no Mané Garrincha cobrindo, e principalmente, curtindo este grande momento para os todos os fãs.
Agora é só esperar Bruce Dickinson e cia entrarem no palco e gritar:
“ Scream for me Brasília!!!”
Abraços. Up the Iron!
Danilo Duff.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Iron Maiden: Somewhere in time


O futuro chegou. Inclusive no Iron Maiden com o lançamento deste álbum com estilo futurista.

Como dito no post anterior este disco é o álbum da discórdia. Massacrado pela mídia que não entendeu a ideia da banda de modificar seu som, com inserção de guitarras sintetizadas, dando o ar de modernismo que o grupo procurava.

Também é motivo de desacordo entre os fãs da banda. Os cinco primeiros álbuns haviam sido lançados em cinco anos conseguidos (80-84). Em se tratando de álbuns de extrema qualidade isto é um feito, um álbum por ano.

A expectativa em torno de Somewhere in time aumentou porque a banda não lançou um disco de inéditas em 1985. Apenas no fim de 86 seria lançado este e provocado todo esse rebuliço. Ao tratarmos de uma banda ícone do heavy metal espera-se uma continuidade do trabalho.

A mudança brusca de rumo causa estranheza, narizes torcidos e testas enrugadas. Talvez um único ponto de concenso seja a capa de Derek Riggs. Belíssima, inspirada em músicas e histórias do grupo. Mostra um Eddie futurista, robotizado, cibernético, talvez um vingador do futuro. Há várias curiosidades grafadas na ilustração:

- Um relógio aponta 23:58 (alusão a música 2 Minutes to midnight);

- Um placar eletrônico mostra o resultado inimaginável do jogo West Ham 7 x 3 Arsenal (Fanáticos pelo "timaço" londrino West Ham -a Portuguesa de Londres);

- O nome da rua onde Eddie está chama-se Acacia Avenue;

- Um Icaro caindo com suas asas queimadas (Flight of Icarus);

- Teatro Phantom of Opera House;

- Live after death e Blade runner são os filmes em cartaz no cinema (O primeiro é o nome do álbum ao vivo de estréia e o segundo é o filme com Harrison Ford onde é um caçador de andróides);

- Na Acacia Avenue, em uma das janelas tem uma garota sentada em uma cadeira, possivelmente Charlotte – a prostituta;

- Ruskin arms (pub onde começaram a tocar);

- Aces High bar, com um spitfire (avião de combate inglês da segunda guerra) voando no alto;

Entre outros.

Controvérsias a parte vamos as 8 faixas do álbum e a ficha técnica resumida:

Título: Somewhere in time
Ano: 1986
Duração: 46’04’’

Integrantes:

- Bruce Dickinson: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Nicko McBrain: bateria;

Faixas:

1. Caught somewhere in time: Nos primeiros acordes já percebe-se os riff sintetizados das guitarras de Adrian Smith e Dave Murray. A faixa -título é bem arquitetada, com belos solos de guitarra e um baixo em estilo cavalgada. Bruce Dickinson utiliza de seus recursos vocais para enriquecer a música. Só acho que poderia ser um pouco mais curta (tem 7 minutos).

2. Waster years: O único hit do álbum. Junto com Stranger in a strange land são minhas preferidas do disco. As guitarras sintetizadas até ajudam a manter um clima de expectativa durante a introdução. Tem um daqueles refrões cativantes que todo mundo canta junto. Boa parte da música tem uma velocidade que, na minha opinião, foi reproduzida em outras canções do álbum Fear of the dark. A última parte da musica volta a ser tocada os acordes da introdução. Realmente emocionante.

3. Sea of madness: Começa com uma bateria violenta. Logo após diminui o ritmo. Depois da loucura de Bruce Dickinson inicia-se um belo solo, a marca registrada deste álbum. Volta do mesmo jeito (instrumental cadenciado e vocal idem). E é só. Poderia ter um pouco mais de criatividade.

4. Heaven can waint. Começa com acordes perfeitos de baixo com as guitarras fazendo o fundo. O vocal é igual uma metralhadora, cuspindo frase sem perder o fôlego. A letra é sobre a experiência de quase morte de uma pessoa quando percebe seu espírito saindo do corpo físico. Música bem legal, ainda mais quando o pessoal da equipe técnica é convidada a ir ao palco para cantar o refrão.

5. The loneliness of the long distance runner: Uma faixa com este titulo (A solidão do corredor de longa distância) só poderia dar errado, servindo apenas como música de cabeceira de corredores quenianos. Mas não. É uma faixa bem trabalhada, com variações que iniciam lentas e tornam-se rápidas. A bateria é a la Clive Burr, parecidíssima com a faixa Iron maiden.
6. Stranger in a strange land: Uma das minhas preferências neste disco. Ao começar pelo baixo, com inclinação direta para Wratchild. As guitarras tem o peso certo, criando um riff que “canta” a uma frase marcante da música. A letra conta sobre uma expedição rumo ao pólo norte que naufraga e os corpos são encontrados anos depois em perfeito estado de conservação. Bela letra, vocal apurado e melodia que agrada aos mais exigentes ouvidos.

7. Deja Vu: Acho que todo mundo conhece esta expressão, entretanto não custa lembrar. Palavra que expressa a sensação de já ter vivenciado aquele momento antes, mas não nos lembramos plenamente deste. A letra fala algo em torno da reencarnação. Música rápida e vocal bem trabalhado. Boa para preencher o lado B dos antigos bolachões.

8. Alexander – the great: Como todo álbum do Maiden tem que ter um clássico épico, e esta recebeu o título. E que título! Tem um monólogo inicial atribuído ao pai de Alexandre, chefe-rei da Macedônia, que nomeou o titulo a Alexandre após este, aos 13 anos, conseguir domar um leão que outros guerreiros haviam tentado sem sucesso.
A frase é esta:
“Meu filho, consiga para você um outro reino
Pois este que deixo é pequeno demais para ti.”
Começa com a bateria em ritmo de funeral, continuando com a entrada das guitarras. Após 2 minutos de introdução segue-se a melhor participação de Bruce Dickinson no álbum. Com uma voz firme e coesa para a grandeza da canção, não desafina uma única nota. No meio da música criou-se um riff poderoso de guitarra. A bateria e o baixo tem um acompanhamento único, dando o ritmo necessário a história cantada por Dinckinson. Uma letra maravilhosa e a melhor composição harmônica do álbum transformam está em um clássico que, infelizmente, não pegou entre os fãs. Uma pena.

É um disco diferente. Acredito que os fãs não aceitaram tão bem porque incorporaram a opinião dos críticos. Todos nós sabemos que críticos foram criados para falar mal, falar que goste de algo que ninguém nunca ouviu falar, só pra falar que é cult.

Sobre o álbum. Dentro de sua proposta é eficaz e com uma qualidade técnica igual aos seus antecessores. Não agradou tanto porque a expectativa era tão grande pelos 3 trabalhos anteriores que dificilmente conseguiria repetir feito extraordinário alcançado por estes três. O importante é que diverte, e diverte bem.

No próximo post um excelente álbum que agradou a gregos e troianos: Seventh son of a seventh son.

Até mais, abraços.

Danilo Duff

terça-feira, 10 de março de 2009

Iron Maiden: Powerslave

Neste quinto capítulo da série falarei do álbum que fecha a trinca de ouro do Maiden: o álbum intitulado Powerslave. Este álbum é um primor de técnica e qualidade.
Começando pela capa, com detalhes ocultos, como a inscrição “Indiana Jones was here 1941 (Indiana Jones esteve aqui 1941)” e o desenho de um Mickey Mouse bem tosquinho. Pela primeira vez a banda consegue repetir a formação do álbum anterior. Musicalmente não tem erros técnicos. Bateria, baixo e guitarras bem equalizadas, na mesma amplitude de som do vocal.
O que mais me impressiona em Powerslave são as letras. Além do contexto em que são escritas (seguindo a tendência de falar sobre guerras – Aces high – e literatura - Rime of the ancient mariner), são de uma sincronia incrível com as melodias.
Com 8 canções, talvez seja o álbum com o maior número de hits da história do Maiden (Aces high, 2 minutes to midnight, poweslave, rime of ancient mariner). Embarquemos nesta fábula da escravidão.
Título: Powerslave
Ano: 1984
Duração: 51’01’’

Integrantes:
- Bruce Dickinson: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Nicko McBrain: bateria;

Faixas:

1. Aces high: Clássico indispensável em qualquer show da donzela. Abre o disco com riffs de guitarras e a bateria apenas na caixa e prato. Com esta perfeita sincronia a música é reconhecida desde a Groelândia até o Sri Lanka. O baixo é a galopante, juntamente com a voz de Bruce em um dos mais refrões mais empolgantes da história do heavy metal. O instrumental é tão “felomenal” que esqueci de mencionar a letra, que descreve a batalha entre a força aérea britânica e o exército alemão nos céus da Inglaterra durante a Segunda Guerra. Queria ter cabelo grande novamente só para bater começa nesta música!

2. two minutes to midnight: Vão ser f* lá no quinto dos infernos. Adrian Smith e Dave Murray estavam inspirados para criar riffs poderosos como desta música. A bateria segue um ritmo tão rápido quanto na música anterior e o baixo é pesado e perfeitamente audível. Música perfeita e refrão idem.

3. Losfer words (Big’ Orra): Não é todo mundo que gosta de música instrumental. Já teve até amigo meu falando: “Já que você gosta tanto de instrumental, monta uma orquestra sinfônica!”. Pois é! Eu gosto é de música, não disso aí citado. E adoro instrumental (já ouviram YYZ do RUSH? Levanta até defunto). Losfer words não é muito longa (4 minutos) e tem um andamento bem característico, começando com guitarras e baixo no mesmo compasso. Após a introdução tem um belo solo de guitarra e volta com repetições de acordes. Talvez a melhor instrumental já gravada pela banda.

4. Flash of the blade: Uma das faixas preferidas pela minha senhora (dona Daiane Ramone). Realmente é empolgante. Musicalmente esta faixa tem a característica de cada guitarra fazer um papel diferente na composição harmônica. Enquanto uma faz a base a outra produz um solo simples, mas eficiente. Em outra parte da música, enquanto as guitarras se degladeiam, o baixo conduz a base da música. A bateria mantém uma velocidade constante durante toda melodia. O vocal de Bruce lembra bastante aquele utilizado em Piece of mind, com agudos no fim de cada estrofe. Um pouco desconhecida, mas de excelente qualidade.

5. The duellits: Diz-se que a letra é baseada em uma lenda dos séculos 15 e 16 que quem pegasse uma luva jogada no chão por um desafiante lutaria com este até a morte. Aparentemente tb foi baseada em um filme de Ridley Scott. O maior destaque é o vocal de Bruce e as viradas de Nicko na bateria.

6. Back in the village: O ritmo alucinante das outras faixas continua. O baixo é galopante, mas as guitarras são um pouco menos pesadas do que nas outras músicas. A letra tem relação direta com The prisioner , da qual eu gosto bastante (do álbum The number of the beast).

7. Powerslave: A introdução de baixo de Steve Harris é uma das mais bem trabalhadas de toda sua carreira. A música tem o peso certo, com um vocal sombrio e a mesmo tempo melódico de Bruce. O coro de vozes como fundo da música nos remete ao significado da faixa-título. A letra é sobre um rei faraó que tem seu pai morto, e reza a lenda que os mortos são incorporados ao deus egípcio Osíris. Com a morte do pai este rei é dito como Deus vivo na Terra. Por sua vez este se sente refém da crença. Por isso o “powerslave” (escravo do poder).

8. Rime of the ancient mariner: um palavra basta para definir esta música: Excepcional. Com mais de 13 minutos e sem repetir uma única frase, esta canção conta a história de um marinheiro que é amaldiçoado por Deus por matar um albatroz, sendo baseada em um poema do escritor Samuel Taylor Colerige. Composta apenas por Steve Harris, é considerada por este como sua melhor composição. O instrumental é épico, com grandes variações rítmicas e um vocal esplendoroso de B. Dickinson. Magnífico.

Um álbum completo com instrumental pesado e complexo, músicas para todos os gostos. Sem dúvida o auge da capacidade criativa da banda. Chega ao fim os tempos áureos da donzela - não que os próximos dois álbuns não seja bons - mas esta fase é brilhante demais para se conseguir algo próximo.

No próximo post falarei sobre um álbum que é uma verdadeira discórdia entre os fãs: Somewhere in time. Por que a polêmica sobre este álbum? Analisaremos no próximo programa, nesta mesma hora, neste mesmo canal!!
He!He!He!He!

Abraço
Danilo Duff.

domingo, 8 de março de 2009

Grandes obras-primas do heavy metal: Iron Maiden - Piece of mind


Imagine a responsabilidade de lançar um álbum um ano após o grande sucesso de The number of the beast. Era essa a expectativa dos fãs em relação ao lançamento de Piece of mind de 1983.
O quarto disco da carreira da banda apresentou um disco com sonoridade diferente dos padrões da época, com vocal melódico e arranjos mais técnicos e trabalhados.

Os padrões musicais dos anos 80 começavam a sofrer uma mudança de rumo em seus estilos. A crítica da época dizia que era a década perdida. Apresentaram-nos novas vertentes: a new wave, o thrash metal, cortes de cabelos esdrúxulos (terríveis franjas), roupas de gosto duvidoso e abusaram do uso de sintetizadores nas músicas.
Era a tendência. Mas o grupo optou por abdicar desta corrente e compilou verdadeiros clássicos que marcaram não somente a banda com toda a história do rock n’ roll. Vejamos.

A história do álbum:

O ano de 83 começaria com uma mudança: a saída do excelente baterista Clive Burr para a entrada de Nicko McBrain. Mais uma mudança, que no final mostrou-se a melhor saída para o grupo. Nicko tem uma energia inigualável (está sempre sorrindo) e uma técnica digna de elogios.
Uma curiosidade: durante os testes para contratação do novo baterista, Steve Harris já havia composto a música de abertura do disco – Where eagles dare – e estava repassando com os outros integrantes como ele queria os arranjos. Sentou-se a bateria e pediu para McBrain que tocasse assim. Como baterista, Harris era um excelente baixista. Nicko sentou no banco da batera e falou: “ ... o quê vc queria era isso?” . Harris soltou: “ É! Está contratado!”

Voltando ao disco. Quando este foi lançado, a repercussão foi tremenda. Superar o The number... seria difícil e a banda conseguiu com maestria. Primeiramente na voz de Bruce Dickinson. Seu vocal afinadíssimo caiu como uma luva as letras mais complexas compostas até hoje pelo grupo. Hora destilando frases que se encaixam perfeitamente com as melodias, e depois utilizando agudos é o trabalho perfeito de sua carreira.
Na parte instrumental o entrosamento entre Adrian Smith e Dave “boneco Chucky” Murray foi perfeito. Os melhores solos já feitos por ambos, a sincronia com o baixo de Harris era único. Sua performance em “Die with your boots on e to tame a land” é emblemática.

Mas o destaque fica por conta da estréia de Nicko McBrain na bateria. Quando se escuta pela primeira vez Where eagles dare não se consegue prestar atenção em outro instrumento a não ser a bateria. Viradas espetaculares, uso dos pratos na condução da música e principalmente a velocidade do bumbo. Nicko sempre utilizou apenas um bumbo e pedal simples. Conseguiu imprimir uma velocidade de pedal duplo que surpreendeu a todos. Simplesmente sensacional!

Típico álbum em que TODAS as canções são de excelente qualidade fica até difícil escolher a melhor. Discutiremos a seguir esta opinião. Acompanhem.

Curiosidade: O título Piece of mind como tradução literal seria "pedaços da mente", mas foi proposital o trocadilho com Peace of mind que seria "paz da mente" ou "paz de espírito", algo que Eddie procuraria após o confronto com o capeta no álbum anterior.

Título: Piece of mind
Ano: 1983
Duração: 46’04’’

Integrantes:
- Bruce Dickinson: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Nicko McBrain: bateria;

Faixas:

1. Where eagles dare: É top 5 das melhores músicas do Maiden em minha opinião. Abre o álbum magistralmente. A bateria inicia, ditando o ritmo, como citado no começo do texto. Já as guitarras dão um show a parte. Liricamente sincronizadas, nos proporcionam uma aula de como se tocar. Os solos não são aqueles intermináveis e cansativos, pelo contrário é só escutar que eu arrepio. O baixo tem um destaque maior que no The number. Inesquecível.

2. Revelations: Finalmente, Bruce compõe uma música sozinho. Não podia ter estréia melhor. Trata-se das revelações presentes no livro Apocalipse da Bíblia. A estrofe inicial é uma citação de uma oração inglesa de G. K. Chesternon. A letra bem complexa conta como seria o fim dos tempos de acordo com a crença dos ingleses. Sempre sonhei em toca-la no baixo. Um dia quem sabe.

3. Flight of Icarus: Seu sucesso na época não deve-se apenas ao lançamento em single, mais pela qualidade dos arranjos e pelo vocal de Dickinson. Entoando agudos sem nunca desafinar, utiliza de toda técnica para carregar a música que por si só já é um clássico. Na capa do single mostra um Eddie alado atrás de Icaro, que na mitologia grega ficou preso no labirinto com o minotauro, e para fugir construiu asas de ceras e penas, mas voou alto demais e suas asas foram queimadas pelo Sol. Tem um dos melhores refrões da banda:
“ Fly , on your way, like an eagle
Fly as high, as the sun
On your way, like an eagle
Fly and touch the sun ...”

4. Die with your boots on: Boas viradas rítmicas. O vocal é agressivo, tem dois solos muito legais de guitarra. Fala sobre a honra e a coragem que os homens devem ter para enfrentar suas dificuldades. Até no refrão cita a frase: “ Se for para morrer , que morra com suas botas...” . Não deixa de ser atual.
5. The tropper: Maior clássico do álbum. Talvez a música do Maiden mais regravada por outras bandas. Excelente para todos os headbengers baterem cabeça. O riff de guitarra no começo da música é inconfundível. A bateria cria seu espaço com velocidade e compasso que viriam a ser característico de Nicko McBrain. O vocal de Bruce é destaque e entre uma estrofe e outra tem o sempre presente Oh!Oh!Oh!Oh!Oh!. Presença obrigatória nos shows, Dickinson sempre pega uma bandeira da Inglaterra e começa a impunha-la, em alusão ao tema da música (guerra da Criméia entre o exército inglês e o russo). Um dos maiores clássicos de todos os tempos. Sem dúvida.

6. Still life: Esta música tem um início que é cantado ao contrário e quando é tocada de maneira correta surge à mensagem: “ não mexa com aquilo que você não entende”. Este aviso é uma brincadeira que a banda colocou para aquelas pessoas que acreditam que nos discos tem mensagens subliminares ou satânicas. Falando da música ela é bem cadenciada, com um refrão bem legal. Outra curiosidade: é uma das únicas músicas em que o guitarrista Dave Murray colabora em sua composição.

7. Quest for fire: Talvez seja a canção menos conhecida da banda. É rápida, com um vocal mais ritmado e menos melódico que em outras músicas. Fala sobre a busca e a descoberta do fogo pelo homem através dos tempos. É a única que fica abaixo das outras. Leva um 9,0.

8. Sun and steel: Música rápida, refrão cativante. É assim o espírito de Sun and steel. Uma canção poucas vezes executada pela banda. Destaque para o baixo de Harris. Uma música para divertir, sem grandes pretensões.

9. To tame a land: O grande épico deste álbum. Originalmente o título seria Dune, em referência ao livro escrito por Frank Herbert. Este não aceitou a utilização por não gostar de bandas de heavy metal, especialmente o Iron Maiden. Após este entrave resolveu-se utilizar o título acima. A canção trata da história de Paul Atreides, destinado a ser rei do planeta Dune. Em termo instrumentais é uma verdadeira obra prima. A linhagem de baixo é forte, constante e destaca frente aos outros instrumentos. As guitarras alternam momentos de acordes calmos e riffs poderosos. A bateria continua seu bom trabalho realizado ao longo do álbum. E Bruce Dickinson canta como se estivesse contando uma história. Infelizmente a música é pouco conhecida. Os fãs não sabem o que estão perdendo.

Finalizando os trabalhos, não há o que reclamar desta obra prima. Praticamente todas as bandas tiveram momentos em que seus trabalhos se destacaram perante outros. Este é o caso de Piece of mind. Um disco sem escolhas erradas de repertório, temas abrangentes nas letras das músicas, mas não divergentes em si. Instrumentalmente, junto com Powerslave, é sem sombra de dúvidas a melhor produção da banda. Momentos de grande criatividade, com destaque para o cativante Nicko McBrain, que apesar da estréia estava seguro. Poderia tecer mais umas dez páginas de elogios, mas seria redundante.

No próximo post falarei de outro álbum clássico, que praticamente fecha o ciclo de ouro da donzela de ferro: Powerslave.

Abraço.
Danilo Duff

sábado, 7 de março de 2009

Iron Maiden: The number of the beast

Como disse no post anterior, o referido disco é um divisor de águas da banda. Ficou no top 10 das paradas britânicas e americanas durante um bom tempo (fato raro para uma banda de heavy metal).

Causou muita polêmica pela escolha do título, uma alusão ao número 666 ser o número da besta. A imprensa, em conjunto com a igreja e outros setores, desceram o sarrafo no grupo, intitulado como satanista.

A história nos conta diferente. Vejamos:

A história do álbum:
Após a gravação do segundo álbum Killers, o grupo passava por um momento conturbado. Steve Harris e Paul Di’anno já não se entendiam. Harris cobrava mais empenho e exigia cuidado com a voz de Di’anno. Este, por sua vez, consumia álcool e drogas em excesso, atrapalhando a convivência com a banda. Acredita-se que este foi o principal motivo para sua saída. Com a entrada de Bruce Dickinson a banda ganhou outra estrutura nas melodias.
Com um estilo de cantar mais voltado para o melódico, deu uma guinada de estilo, sendo que Paul Di’anno era mais agressivo e grave e Bruce abusa de agudos. Outra saída após a gravação do disco The number of the beast é a do bom baterista Clive Burr, presente desde o primeiro disco.

Como havia dito, este álbum é um divisor de águas pelo impacto que causou. Com o single “Run to the hills”, o disco chegou ao top 10 das paradas britânicas. Desde sua fundação, a banda era de certa forma, estigmatizada por suas letras e pela utilização de Eddie como uma espécie de mascote. Com “The number of the beast” as comparações chegaram a níveis inimagináveis.
As ilustrações de Derek Riggs contribuíram para isso, quando Eddie manipula o tranca-rua na capa do disco e o single citado mais acima (Run to the hills), em que o mascote duela com o diabo em uma colina utilizando o machado de Killers.

Observando o possível potencial que o tema teria, a letra da faixa-título fala, resumidamente, da superstição, do misticismo e do medo que o número 666 causa no imaginário popular. A maioria das letras da banda é baseada em filmes, poemas e livros - como acontece com a primeira estrofe da música - recitando um trecho do livro do Apocalipse (livro das revelações) cap. 13 v. 18 e a letra da música, retirada do filme a Profecia II.

Caso os fãs do Iron sejam questionados quanto aos discos preferidos, 9 de 10 “Ironmaníacos” escolherão este álbum. Gosto muito dele, todavia, não é o meu preferido. Contudo, o “The number of the beast” é tão espetacular como outros. Vamos conferir a estréia de Bruce Dickinson nos vocais da donzela. Up the Irons!

Título: The number of the beast
Ano: 1982
Duração: 40’22’’

Integrantes:
- Bruce Dickinson: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Clive Burr: bateria;

Faixas:

1. Invaders:: Inicia com a bateria e baixo em ritmo bem acelerado. A letra fala da invasão dos povos nórdicos (vikings) ao norte da Grã-Bretanha e com a eminente derrotada dos saxões. Excelente escolha para abertura dos trabalhos.

2. Children of the Damned: Baseada no filme de 1964 de mesmo nome. Conta a história de seis crianças com estranhos poderes mentais e que são queimadas na fogueira por acreditarem que são filhos do demo.

3. The prisoner: Tem um diálogo no início que foi retirado da série de mesmo nome. A letra também é baseada na série. Destaque para o refrão, daqueles feitos especialmente para Bruce.

4. 22 Acacia Avenue: Muitos pensam que esta música é do que chamam de banda Calypso. É só ir no you tube e conferir. Brincadeiras a parte, a música é bem trabalhada, é uma continuação de Charlotte the harlet (do primeiro álbum), tanto que o “excelente” Chimbinha não consegue acompanhar o solo da guitarra.

5. The number of the beast: Chegamos ao ponto de convergência (ou será divergência) do álbum. Até quem não conhece a banda já ouviu falar em “The number of the beast” e a chamam de 666. Esta, junto com Run to the hills são os hits deste álbum, e mesmo com seu apelo comercial são de excelente qualidade musical, com riffs que a reconhecemos de longe.

6. Run to the hills: Um clássico que sempre está presente em shows e coletâneas. Como relatei na história do álbum, Eddie corre para o topo de uma colina e duela com o tranca-rua, até dominá-lo e manipular como um boneco (vide a capa do disco). Os acordes da guitarra no início da música são inconfundíveis e mostram bem o ritmo que a música toma. Refrão chiclete e empolgante (e quem disse que todo refrão chiclete é ruim!).

7. Gangland: Se até o dono da banda Steve Harris diz que é ruim o que eu posso fazer.

8. Hallowed by the name: É a música mais bem trabalhada do álbum. Tem 7 minutos e ninguém reclama. Os acordes iniciais lembram sinos dizendo que sua ora chegou. Mas a letra e o título (Santificado seja vosso nome) realmente aborda o juízo final. A voz de Dickinson dita a apreensão sobre os últimos momentos da vida de um homem. Quase épica, um clássico. Hallowed by the Iron Maiden.

Este disco é tão especial que qualquer relato a mais seria considerado irrisório. Um disco que só não leva a nota 6,66 porque seria injusto.

No próximo post falarei sobre o melhor disco da banda na minha opinião: Piece of mind.

Abraço.
Danilo Duff

quinta-feira, 5 de março de 2009

Iron Maiden - Killers

Continuando a série sobre os álbuns que compõem a turnê Somewhere back in time tour, falarei do álbum Killers. Um disco divertido e matador. Confira!

A história do álbum:

O segundo álbum do Maiden é marcado pela saída do guitarrista Dennis Stratton e a entrada de Adrian Smith, ficando na banda até o álbum Seventh son of a seventh son.

O álbum Killers tem uma pegada até mais rápida e agressiva que o primeiro – Iron Maiden. Com a entrada de Adrian Smith no lugar de Stratton, o grupo ganhou em qualidade técnica, dando outra roupagem aos arranjos da banda.

A ilustração de Eddie, é mais trabalhado, assassino e assustador que na primeira versão. Aliás, é Derek Riggs o nome por trás das ilustrações das capas dos discos. Aqui, Eddie carrega um machado em suas mãos e vagando pelas ruas de Londres, procura suas possíveis vitimas. Segundo a lenda, a mão que agarra e implora piedade à Eddie é Margareth Thatcher, primeira ministra inglesa e “dama de ferro” da rainha Elizabeth.

O nome do álbum é também uma provocação a primeira ministra, já que esta foi morta no single Sanctuary, do primeiro disco. É o marketing positivo criado pela banda, não somente para vender seu discos, mas também para aguçar a imaginação dos admiradores e críticos da banda.

Título: Killers.
Ano: 1981
Duração: 38’38’’

Integrantes:

- Paul Di’anno: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Adrian Smith: guitarra;
- Clive Burr: bateria;

Faixas:
1. The ides of march: Faixa instrumental. Curta, mas marcante. Destaque para as viradas da bateria.

2. Wrathchild: A clássica do disco. Não pode faltar nos shows. O baixo magistral inicia uma canção com letra forte e vocal raivoso de Paul Di’anno.

3. Murdes in the rue Morgue: Esta é sobre um assassinato nas ruas escuras de Paris. Refrão é cantado rapidamente que é difícil até acompanhar. Como em praticamente todo álbum, a bateria de Clive Burr é o destaque pelas viradas rápidas e uso constante dos pratos.

4. Another life: De diferente apenas a guitarra, com um riff típico daqueles que pode-se até cantarolar. Eu não gosto muito desta.

5. Genghis Khan: Outra instrumental. Até legalzinha. A batera é rápida no início e mais lenta no final. O baixo tem pouco destaque. Dou um 6,66 !

6. Innocent exile: Tem no baixo simples e eficiente o Messias da música. É a única coisa que salva. Bem fraquinha.

7. Killers: Esta sim é excelente. Mais uma do álbum para falar de morte. Relata a “crise existencial” de uma criatura que arrepende-se ou não por aniquilar sua vítima. No final diz:
“.. oh God help me, what have I done¿ Oh yes, I’ve it done!” ( “..oh Deus ajude me, o quê eu fiz¿ Oh sim, eu fiz!”)

8. Prodigal son: Legalzinha. É a única balada do disco. Tem um vocal depressivo, muito parecido com Phantom of the Opera (com as devidas ressalvas). Serve como descanso p/ ouvido.

9. Purgatory: Excelente faixa para os headbengers baterem cabeça. O refrão é daqueles que pulsam na cabeça por horas.

10. Twilight zone: É curtinha, tem só dois minutos, coisa rara em bandas assim. É uma canção que não compromete, mas também não empolga. Coluna do meio.

11. Drifter: Voltamos com guitarras rápidas, baixo um pouco aquém das expectativas e a bateria com toda a energia.

Enfim um disco bom (leva um 7,5), inferior ao primeiro (Iron Maiden), mas com suas peculiaridades. Amanhã falarei da fase de ouro da Donzela, o álbum que é um divisor de águas para a banda e os fãs: The number of the beast.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Iron Maiden: os álbuns, a turnê !!

Há exatamente um ano estava no show em SP da turnê Somewhere back in time tour. Agora veremos a turnê passar aqui por Brasília. Com a aproximação da apresentação histórica da banda na nossa cidade, publicarei uma série de textos sobre os álbuns que representam as canções presentes na turnê.

A turnê Somewhere back in time tour reúne o melhor dos 7 primeiros álbuns da carreira da donzela de ferro (todos os discos da década de 80) e mais o álbum Fear of the dark (o nono da carreira – de 1992). O disco No prayer for the dying ( o oitavo de estúdio) ficou de fora por uma simples razão: é ruim.

Com uma temática diferente de outras bandas, que falam basicamente sobre problemas sociais, sexo e drogas, o Iron Maiden sempre priorizou as letras que falam sobre mitos, crenças, superstições e literatura inglesa. Após a entrada de Bruce Dinckinson no grupo este fato tornou-se mais notório.

No início, com Paul Di’anno nos vocais e um Steve Harris com seus vinte e poucos anos e principal letrista a característica era a rebeldia, as mulheres, temas recorrentes justamente por causa da idade. Passando esta fase (dois primeiros álbuns), começou-se a guinada no estilo de vocal, arranjos e letras. Comprovaremos isto.

Iniciaremos com o primeiro álbum: Iron maiden.

A história do álbum: A primeira formação para gravação deste álbum tem como destaque os vocais de Paul Di’anno, com seu estilo de vestir bastante similar ao de integrantes de bandas punks do final da década de 70, vocal agressivo, rápido e com peculiar timbre, bem diferente de Bruce Dickinson, mais agudo e melódico.


A parte instrumental é bem característica do início dos anos 80, com as guitarras com riffs rápidos e o baixo com tom bem grave. Muitas das bandas da época tinham dois guitarristas, e estes eram divididos em guitarra base e solo. Já no Iron nunca existiu esta divisão. O guitarrista Dave Murray – o boneco Chucky - (desde o início na banda) e Dennis Stratton fazia perfeitamente as duas funções, criando assim um som diferenciado de outras bandas.

Como Steve Harris é o principal letrista, também tem opinião decisiva sobre os arranjos da banda, encaixando perfeitamente com sua composição harmônica e letra. Fato que influencia diretamente sobre a inserção ou não de novos músicos na banda, como o caso da entrada do baterista Nicko Mc Brain, que relatarei posteriormente (álbum Piece of maid). E a presença de Clive Burr nas baquetas garantiu uma bateria poderosa e com viradas que acompanhavam a velocidade do baixo de Harris.



Titulo: Iron Maiden.
Ano: 1980
Duração: 37’35’’

Integrantes:
- Paul Di’anno: vocal;
- Steve Harris: baixo;
- Dave Murray: guitarra;
- Dennis Stratton: guitarra;
- Clive Burr: bateria;

Faixas:

1. Prowler: Com riffs de guitarras inconfundíveis e tocada de forma rápida e precisão, abre bem o disco.

2. Sanctuary: Presente apenas na remasterização em CD, foi lançada como single na época.

3. Remember tomorrow: É outro destaque pelo vocal mais coeso de Paul Di’anno e um arranjo mais lento do que o usual em todo o álbum.

4. Running free: juntamente com Iron maiden são os hits deste álbum. A letra lembra bem o ideal juvenil deste início de década (correr livre, sem expectativas, apenas beber e se divertir era o importante).

5. Phantom of the opera: é a musica mais longa do álbum (7 minutos). Começa com um arranjo de guitarras e baixo no mesmo compasso. O baixo de Harris começa a se destacar com estilo próprio, “as cavalgadas” , técnica na qual tocam-se as cordas do baixo alternando os dedos indicador, médio e anelar, com velocidade e regularidade constantes.

6. Transylvania: é a primeira música instrumental gravada pelo Maiden, acordaria até o conde Drácula.

7. Strange world: não gosto muito desta.

8. Charlotte the harlot: Conta a história de uma prostituta. É uma das minhas preferidas deste disco. Tem uma continuação no álbum The number of the beast (música 22 Acacia Avenue).

9. Iron maiden: O maior clássico do álbum, a música título, contando a história do instrumento de tortura que deu nome ao grupo. Tem um dos melhores refrões da banda (“ Iron maiden wants you for dead...”). Indispensável em qualquer apresentação.

Por hoje é isso. Amanhã continuaremos com o segundo álbum Killers.

Abraço a todos.
Danilo Duff.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Um novo Messias?

Na última terça-feira (04/11) fez-se história. Barack Hussein Obama foi eleito o primeiro presidente negro da história estadunidense. A cobertura da imprensa mundial foi maciça, tanto que as principas emissoras de rádio e tv mandaram seus "melhores" jornalistas. Foi evidente o entusiasmo da imprensa brasileira com a vitória de Obama, fato só não observado em países com proximidade maior pelo lado republicano, como Japão e Israel. Esta eleição foi marcante pricipalmente por envolver um candidato negro que tinha chances reais de chegar a Casa Branca.

Os principais analistas e especialistas dizem que o mundo está e será melhor com Obama. Eu acho que o mundo será melhor porque estaremos também sem o Bushinho. Para os brasileiros não haverá grandes diferenças. Talvez até piore as relações comerciais envolvendo, por exemplo , o etanol brasileiro.

Historicamente os democratas são mais protecionistas com seus agricultores do que os republicanos. Estes sim adoram e entendem é de petróleo. Já que não exportaremos etanol pro EUA, podemos diversificar nossa carteira de produtos. Talvez mangas, porque de mangas eu entendo e estamos na época. Quem não acreditar pergunte ao Daniel Farinha.

Falemos sério. Voltando a eleição americana, a importância foi dada pricipalmente porque Obama é negro. Acredito que isto não deveria ser levado como relevância. Deveria ser observada a conduta ética durante a campanha, seu caráter, carisma e índole, e não seu tom de pele. E ele demonstra que têm todas elas. Mas vivemos no Brasil, onde foi eleito um presidente da República apenas com o nível primário de escolaridade.

Obama é formado em direito por Havard. Será que um diploma garante se um político será melhor que o outro que não o possua ? Não, mas ajuda. Mas além do grau de escolaridade que influencia uma candidatura como a de Obama, o fator principal para os americanos votarem nele era também a cor da pele. Diferentemente de nós braileiros, mixigenados e com uma população negra maior que a americana, somente eles sabem o que é a segregação na sociedade americana.

Como brasileiro e distante da disputa, tenho uma visão talvez equivocada da situação, mas é bastante provável que muitos eleitores votaram no democrata para "redimir" os erros do passado em relação a população negra (13% da população). Os eleitores do canditado derrotado John McCain, majoritariamente são brancos, dos estados mais ruralistas, conservadores e protestantes. Obama, além de ser negro, vêm com idéias que contradizem o "american way of life", é a favor do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e provavelmente, relacionará melhor com o "eixo do mal" (Irã, Coréira do Norte e mais alguém que não lembro, mas que fabrica bomba atômica).

Como disse nas primeiras linhas fico feliz pelo mundo em se livrar de Bush. E eleger Obama, ainda que indiretamente (não falei do processo eleitoral americano, confuso e atrasado, fica pra próxima). Cito alguns filmaços que não tiveram tanta repercussão na mídia e bilheteria, mas sintetizam toda essa história.

O primeiro é Farenheit 9/11, de Michel Moore, filme documentário no qual é explicitado os motivos pelo qual o governo dos EUA (vide George W. Bush) tiveram todos os recursos para impedir os ataques de 11 de Setembro de 2001, mas não fizeram. Umas das cenas mais hilariantes e quando Moore mostra através de um close de câmera uma pasta com informações da CIA que uma organização terrorista preparava um ataque aos EUA. Quando um de seus assessores entregam a pasta p/ Bush, e ele simplesmente a coloca embaixo do braço e continua seu joguinho de golf durante suas férias em seu rancho no Texas. Esta cena demostra o quanto despreparado era para dirigir o país mais importante do mundo.



O segundo filme é Mississipi em chamas, com Gene Hackman e Willem Dafoe, que conta a estória de dois agentes do FBI que investigam a morte de alguns jovens negros na racista Mississipi dos anos 60. O filme retrata também que as famílias negras não podiam sequer frequentar a igreja e em bares deveriam ficar no fundo do estabelecimento e separados dos brancos. Sem contar a Ku Klux Kan (KKK), seita racista homofóbica e xenófoba retratada no filme. Dois excelentes filmes que demostram o que é viver nos EUA.

Por isso que a eleição de Barack Obama traz tanta esperança para o mundo. Que ele consigua mudar esta relação entre os próprios americanas e que nas próximas eleições não seja lembrado apenas como "o primeiro presidente negro dos EUA" e sim como alguém com mais competência p/ gerir uma nação.

Aguardemos e torcemos por ele.

Abraços Danilo Duff.

sábado, 25 de outubro de 2008

PLEBE RUDE – ESPAÇO BRASIL TELECOM - O SHOW!

Salve, salve meus amigos plebeus!

Quem não foi ao Espaço Brasil Telecom nesta última quinta-feira (23/10), perdeu um show antológico da Plebe, principalmente pela pequena freqüência que se apresentam em Brasília (última apresentação que presenciei foi aquela do aniversário do Lago Norte).
Palavras de André X sobre a apresentação: "este foi o melhor show da Plebe neste ano".
Realmente o show foi muito acima da média da Plebe (que já é bem alta). Antes de falar do show um pequeno relato do local.

Não conhecia o hotel do titio Paulo Octávio. Até que o lugar é bonitinho, arrumadinho, organizadinho, mas logo no dia em que estou presente, algo sai errado. Os computadores do local não estavam imprimindo os ingressos, o que fez o show atrasar em 45 minutos (era para começar impreterivelmente as 21h00min).

Ingresso na mão, Ok. E lá vamos nós. Antes de o show começar o público se acomodou nas cadeiras acolchoadas próprias p/um espetáculo de música clássica, uma peca de teatro, um show do Tom Jobim e Vinícius, um padrão aristocrático, incomum para um show da Plebe.
Isto me incomodava, aquela cadeira estava me dando urticária, todo aquele povo sentadinho. E mais, ainda tinha uma propaganda institucional da BRT onde mostrava seus "projetos sociais no interior de Goiás". Só faltou Daniel Dantas (aquele amiguinho do Gilmar Mendes) aparecer agradecendo por todos os clientes estarem em dia com suas contas de telefone. Se vocês não sabem ele é acionista majoritário da BRT. Ah, hoje eu quero é rock menino!!

Mas foi só a Plebe entrar com os acordes de Censura (que eles raramente tocam) que a galera foi p/ a frente do palco. Até o Phillipe gesticulou p/ os plebeus presentes levantarem das cadeiras e irem p/ frente do palco. Em seguida tocaram R ao contrário (música que a senhora Ramone não gosta), O que se faz (com aquela introdução de música gaélica). Depois da terceira música, com toda a empolgação de um adolescente e memória de um idoso, não me lembrava mais da ordem das músicas.

Soltaram os petardos (as músicas não foram tocadas nesta ordem): Códigos (umas das minhas preferidas), Bravo mundo novo (o que faz lembrar o Jander com seu timbre característico p/esta música), Medo (da banda Cólera), Luzes (regravação da Escola de escândalos), a música mais conhecida (depois de Até quando esperar) pelo público não plebeu. Tivemos também Jhonny vai a guerra, Brasília e Sexo e karatê (na qual apareceu um troglodita de suspensório e coturno na minha frente que se exaltou tanto que transpirava mais que garoto propaganda do novo Axe e bufava mais que touro em dia de rodeio).

Tivemos dois momentos entre as canções que ficarão marcadas na minha memória.
A primeira foi a fala de Phillipe Seabra sobre a importância de ser cidadão consciente, votando corretamente. Falou que votou em Barack Obama. E o Clemente falou: O Phillipe votou no Obama Bin Laden. Ah, Ah...

O melhor foi logo antes deles tocarem Este ano. O público pedia Pressão social, Pressão social, Pressão social. Enquanto pediam, André X afinava seu baixo. Veio o silêncio. Foi quando gritei: toca Nova era techo porra!!!
Não é que o Phillipe começou a tocar! Gritou p/ o Clemente: "É em Ré". E soltou os primeiros versos:
" Seu micro, não sei pra que te apresentar
Ele fará tudo por você
No seu lugar..”
E parou. Falou em seguida: "Ah, tem mais de vinte anos que eu não toco isso. Nem lembro mais a letra”. Seguiu o show. Sensacional.

Antes de Até quando esperar ainda soltaram A ida, Proteção (que nunca pode faltar), Discórdia e Dançando no vazio (do álbum R ao contrário).
Tocaram até uma música que é de autoria da Plebe, mas que foi gravada pelo Detrito federal, de Alex Podrão. As novidades foram por conta do bis duplo (não é o chocolate).

  • Até quando esperar. Até aí nada de novo, já que todo show deve ser fechado por uma das obras primas do rock nacional (letra sempre atual). O legal foi durante o tradicional baixo e bateria da Plebe. Enquanto Txotxa tocava, André, Clemente e Phillipe foram até a bateria, pegaram baquetas e começaram a "tocar”, parecido com a criançada que pega as panelas da mãe para brincar. Mas foi divertido.

  • O segundo bis é que foi surpreendente. Voltaram para tocar não Pressão social e sim The Clash, com I fought the law, com todo mundo cantando.

Um dos melhores shows da Plebe Rude, com aparato técnico perfeito e com uma informação que, se concretizada, será uma ótima noticia para todos os fãs.
Este show foi o último da turnê do R ao contrário, mas uma fonte segura falou que é bastante provavelmente que a Plebe se apresente na Ceilândia no dia 22 de novembro. Nada oficial, mas não custa esperar e torcer, até porque dizia o saudoso coveiro e clone de jogador Amaral do Palmeiras: a esperança é a única que morre. Ainda bem que a música da Plebe é para, no mínimo, até a próxima encarnação.

Salve, salve plebeus. Até a próxima.

Danilo Duff

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