quinta-feira, 5 de março de 2009

Até Quando Esperar?

Até quando esperar? Já dizia a nossa querida Plebe Rude nos idos dos anos 80. Pois bem. Estamos nos anos 2000 e até hoje as coisas continuam as mesmas. Estou me referindo ao atendimento dos nossos direitos como cidadãos e ao combate à corrupção no nosso país que continua devagar quase inexistente.
Temos 509 anos como nação. Quase 200 anos já se foram como país independente. E até hoje o povo brasileiro segue desrespeitado no atendimento de direitos até mesmo considerados básicos. A nossa carga tributária é a maior do planeta. É de se imaginar que tivéssemos a melhor Saúde Pública, a melhor educação, a melhor segurança do mundo, ou pelo menos uma das melhores. No entanto a realidade é bem diferente.
Nossos hospitais estão abarrotados de pessoas. A quantidade de médicos e servidores é insuficiente para atender à demanda. Faltam medicamentos e equipamentos. E quando não faltam, estão quebrados.
A nossa educação perdeu em qualidade ao longo dos anos. Hoje, até existem mais crianças na escola, mas a qualidade piorou.
Segurança? Esse talvez seja o pior de todos os itens. Isso devido ao aumento da violência e a incapacidade das autoridades diante da escala do crime. Casos de violência tomam conta todos os dias do nosso noticiário.
Alguém aí já prestou atenção em como andam nossas vias públicas? Então, pagamos nossos impostos para termos vias de qualidade e olhem o que acontece. Elas mais parecem a superfície da lua, cheias de crateras. E bom quando não empenam nossas rodas e gastamos mais dinheiro para consertá-las.
E como se não bastasse tudo isso, nós pagamos nossos impostos e acabamos por pagar mais de uma vez pelo mesmo serviço. Querem saber como? Então vejamos: Você paga seu imposto para ter saúde de qualidade, certo? Como você não tem, o que você faz? Se associa a um Plano de Saúde. Pagou duas vezes pela mesma coisa. Você paga seus impostos para ter educação de qualidade, certo? Não tem, e o que você faz? Bota seu filho em um colégio particular ou paga a sua faculdade. Pagou duas vezes pela mesma coisa. Você paga seus impostos para ter Segurança Pública de qualidade, certo? E mais uma vez, o que você faz? Paga uma seguradora para o seu carro, paga uma empresa de segurança privada para a sua rua, seu condomínio, sua casa e paga até o flanelinha para não roubarem seu carro. E se não pagá-lo, ainda corre o risco de chegar lá e ter o seu carro arranhado, seu pneu furado etc... . Isso sem falar nos equipamentos de segurança como câmeras, alarmes, travas... Vixe, dessa vez eu até perdi a conta de quantas vezes podemos pagar pelo mesmo serviço. Já parou para pensar nisso? Pois, é. Eu parei. E me assusto e revolto a cada vez que lembro disso.
E a corrupção? Doença endêmica do nosso país. Ela é a culpada por tudo que foi dito acima. Ou em grande parte pelo menos. Se somos a nação que mais paga imposto no planeta, dinheiro tem. Se sumiu, vai ter que aparecer. Por bem ou por mau. Milhões, bilhões desaparecem dos cofres públicos em inúmeros escândalos que horrorizam o país. Dinheiro, meu, seu, nosso que deveria ser destinado para a educação, saúde, combate à violência. E aí, crianças e jovens ficam se estudar e brasileiros perdem suas vidas.
Em nosso país, reina a cultura da impunidade. De que a lei tem que ser esquecida. Pelo visto nosso país é mesmo o país do futebol. Aqui se dribla dentro de campo e fora dele. Todo dia as leis são dribladas. E olhem que em driblar leis e normas, aqui temos verdadeiros especialistas. Especialistas que botam Pelé, Maradona, Romário, Zico, Rivelino no bolso...
Dizem: Ah, mais o Brasil é o país do futuro! Desde pequeno que ouço isso. E que futuro é esse que nunca chega? Respondo: Não chega e jamais chegará se não arregaçarmos a mangas e fazermos a nossa parte. O povo brasileiro tem que aprender a correr atrás dos seus direitos. Fazê-los valer. Vejo com inveja as imagens vindas de outros países da população indo às ruas para exigir dos governos, das autoridades reivindicações como estas. Mas aqui, a idéia que se vende pelos meios de comunicação que são em parte sustentados pelo estado e pelos poderosos de plantão, a quem não interessa em nada este tipo de reivindicação, se vende a idéia de que são baderneiros. Vendem a idéia, direta ou indiretamente de que temos que ser pacíficos e sermos pacíficos e ficarmos em casa, de braços cruzados, levarmos a nossa vida e não nos participarmos em tais coisas. Pergunto: Que paz é essa? Pois essa paz, fabricada pelos agentes aqui citados, essa eu não quero para mim. Eu não quero para o meu país. Essa paz tem como sinônimo, alienação.
É preciso que façamos uma verdadeira revolução cultural no nosso país. E nesse processo os sindicatos e os Movimentos Sociais são imprescindíveis. Revolução esta que comece pela mudança de costumes e conceitos equivocados. Pois estes mesmos costumes e conceitos equivocados é que estão levando nosso país nestes mais de 500 anos ao buraco. Para não dizer para outro lugar#*+*#+# (se é que você me entende).
Somos o país do futuro? Sim, somos. Mas vamos nos apegando a essa expressão de deixando para amanhã ou depois para fazermos algo. Para fazermos essa revolução.. Vamos deixando para depois o que podemos fazer hoje e acabamos por nunca fazer. Se somos o país do futuro, esse futuro tem que começar hoje, agora. Logo depois de terminarmos de ler este texto. Vamos começar dando exemplo. Desde na moedinha lá do troco da padaria, que muitas vezes não volta com a desculpa de não termos troco (e temos muitas vezes) até a grandes movimentações envolvendo volumosas quantias em dinheiro. Vamos começar a dar exemplo devolvendo aquilo que não é nosso, mesmo que seja de valor financeiro pequeno. Tudo isso para exigirmos de nossos representantes um pouco mais de seriedade. Não é que não tenhamos moral para tal. Se pagamos impostos, já temos. Mas para termos mais moral ainda. Aqui existe a cultura de que ser desonesto é que é bom. Então precisamos mudar isso, para que novos corruptos não sejam fabricados.
Transcrevo abaixo um texto de autoria de Lucinda Lopes que foi narrado por Ana Carolina no seu DVD com Seu Jorge, intitulado Só de Sacanagem. O texto é uma convocação a esta revolução de que vos falo. Afinal de contas, até quando esperar?

Só de Sacanagem


Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.' Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal. Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal! E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final!

4 comentários:

Cristiano Porfirio disse...

Eu não acredito em mudança, apenas em uma melhora, que deve ter demorar alguns milênios.

Poucos, apenas poucos se preocupam com o bem estar social, público e ambiental. A má distribuição de renda além de ser latente é capiciosa, por exemplo os políticos, enquanto os pobres cada vez mais pobres, os nossos legisladores cada vez mais ricos, aumentando salários e verbas de gabinete para seu bel prazer. Vergonhoso!

Fora a preguiça do povo, que não luta, apenas se entrega, fora os outros que preferem cair na criminalidade.

Vergonhoso, danoso e dolorido. Só nos resta rezar para um santo que nunca vem.

Excelente desabafo meu caro Carlos. Repitindo, pena que poucos pensam como nós!

*Jana disse...

Carlos velho eu pensa como,vc!
Mew é difícil acordar todos os dias,e me deparar com tudo isso acontecendo e as pessoas se alienam!Não se movem!

So te falo uma coisa quando vamos começar a revolucionar?Como eu e vc e esse cara aí de cima e mais tantos outros q vieram aqui no seu texto...Qual a solução!Também tenho muito a dizer além do que vc disse,e quantos outros também quer falar ou ja falaram...Mas ta ná hora de fazer!Por q se não fica assim mesmo...como sempre um belo, "Desabafo".
Temos q começar a nos "armar" e "lutar".Falta uma organização pra isso.Falta tudo.E é preciso começar.Como?Quando?Onde?...

Carlos Henrique disse...

Oi Jana, tudo bem?
Em primeiro lugar, quero me desculpar pela demora em te responder. Mas é a falta de tempo... .Não só pelo meu trabalho como também pela minha militância política. Mas enfim, vamos às considerações.
Achei super legal seu comentário. Vejo que vc é uma pessoa interessada em fazer algo pela nossa sociedade, pelo nosso país.Para falar a verdade, não sei se tenho uma resposta pronta para te dar. Isso porque, a minha forma de lutar, pode não ser a melhor para vc. Cada um, encontra sua própria forma, a que mais tem haver consigo. E graças a Deus que existem várias. Eu começei o minha militância política em 1991, com 17 anos. Começei no Movimento Sindical. Logo em seguida, entrei no Movimento Estudantil, onde integrei a direção de entidades como FEUB (Federação dos Estudantes Universitários de Brasília), CAGEA (Centro Acadêmico de Geografia da UnB e do DCE da mesma universidade. Hoje, faço parte da direção do SINDSEP - Sindicato dos Servidores Públicos Federais. Essa foi a forma que eu encontrei de exercer a minha cidadania. De contribuir para a minha categoria e a sociedade em que vivemos. A forma que mais tem haver comigo. Mas pode ser que não seja a forma que tem mais haver com vc. Tem pessoas que preferem o trabalho em ONG's, em igrejas... Outros preferem associações de moradores e tal. Embora este seja de questões muito específicas, como a falta ou a retirada de um quebra-mola na rua etc... mas é também uma forma de exercer a cidadania. Outros preferem ainda algum tipo de movimento ligado à questão agrária. Tem também a política partidária que ao contrário do que muitos podem pensar, é legal também. E enriquecedora. Claro que há partidos e partidos. Eu por exemplo, sou de esquerda e socialista convicto. Então, jamais procuraria um partido de direita e burguês como PSDB, Democratas etc... .Talvez uma boa sugestão seja de montarmos um grupo de discussão do Na Rota. Um grupo que se reuniria semanalmente ou mensalmente para discutir temas relevantes para Brasília e o país e que procurasse ter uma atuação de forma a colaborar com os mesmos.

Abraços a todos;
Carlos Henrique.

Carlos Henrique. disse...

Amigo Cristiano;

Vai demorar o tempo que a gente quiser que demore. Se a gente quiser que demore 5 anos, vai demorar 5 anos. Se a gente quiser que demore 10 anos, vai demorar 10 anos. Se a gente quiser que demore 500 anos, vai demorar outros 500 anos. O tempo é a gente que vai determinar. Essas coisas só acontecem, porque a gente não quer mais deixa que aconteçam. Mas de qualquer forma, se vc acredita em uma mudança, independente do tempo que vai levar e da intensidade da mesma, então vc é bem vindo. Este blog mesmo já é uma contribuição sua para isto.

Abraços a todos;

by TemplatesForYouTFY
SoSuechtig, Burajiru